COLUNA

Sônia Zaramella

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Relatos e fatos, pessoais ou não, do passado e do presente de Cuiabá e de Mato Grosso.

Teatro em Cuiabá se expande, mas precisa de fomento

 

Cuiabá ganhou mais um teatro. Agora dispõe de cinco salas que, juntas, somam 2.145 lugares. Além desses ambientes estruturados, a capital possui também espaços alternativos localizados em alguns de seus bairros.

Ao comentar o panorama atual dessa expressão cultural em Cuiabá, pessoas da área manifestaram pontos de vista diferentes, sinalizando, porém, como ponto em comum, a importância que o teatro conquistou na cidade no decorrer do tempo.

“Estou bem animado”, declarou o artista Antônio de Pádua Nobre, proprietário do mais novo teatro de Cuiabá, com 280 lugares, inaugurado no último dia 15, na Galeria do Pádua.

“É um espaço de conexão com a arte, literatura, política, filosofia, religião e tantas outras vertentes. O nosso teatro está aberto para o plural, para a diversidade da vida. Cada pessoa que pisar no palco poderá expressar a sua visão e mostrar ao mundo a sua alma”, enfatizou.

Além do novo teatro na Galeria do Pádua, a capital conta com o Cine Teatro Cuiabá, o mais antigo deles, inaugurado em 1942, que tem duas salas: o palco italiano (lugares para 510 pessoas) e a sala Anderson Flores (capacidade para 80 pessoas).

O Teatro da UFMT é de 1982 e tem 506 poltronas. É apontado como o primeiro do estado a ter uma estrutura para receber plateia e artistas. Foi revitalizado em 2014. Também em 2014, em dezembro, foi inaugurado o Teatro do Cerrado Zulmira Canavarros, cuja capacidade é para 769 espectadores.

O Teatro do Cerrado tem uma estrutura moderna e ampla, com estacionamento próprio e acessibilidade. São 496 lugares no pavimento inferior, incluindo 11 lugares para cadeirantes e 10 lugares para obesos, e 273 lugares no mezanino. É mantido pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Antônio de Pádua não batizou ainda seu teatro, que levou 35 anos para ser construído. O espaço está integrado à Galeria do Pádua, localizada na avenida Miguel Sutil, que abriga cerca de 100 obras do artista e escultor. Em conversa com a coluna, ele disse que vai ‘sentir’ a tendência do novo ambiente para então escolher o nome.

“As pessoas sugerem que eu coloque o meu nome, mas acho egocentrismo”, ponderou. Ele listou pessoas da cultura teatral em Cuiabá, já falecidas, para serem homenageadas nesse batismo – a produtora Rita Pedroso, o humorista Liu Arruda, o artista e dramaturgo Luis Carlos Ribeiro e o dançarino Paulo Medina.

Mas confessou que está mais inclinado a colocar um nome de tribo indígena no seu teatro. “Os indígenas se identificam com Mato Grosso”, justificou.

Cofundador da Associação Cultural Cena Onze e Diretor Artístico da MT Escola de Teatro, Flávio Ferreira destacou que o espaço do Pádua é importante para a cultura teatral em Cuiabá e vem se somar às salas disponíveis da cidade. Para ele, é mais uma conquista do teatro cuiabano e mato-grossense.

Ferreira apontou também como uma vitória do setor a MT Escola de Teatro, criada em 2016 por meio de uma parceria do Cena Onze com a Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de MT e a Universidade do Estado de MT, que conferiu profissionalismo aos artistas locais e formação acadêmica aos interessados.

Essa qualificação do pessoal pela escola (alguns seguindo mestrado e doutorado) é um dos indicadores para o panorama do teatro ser promissor no estado. Flávio Ferreira apontou ainda a existência da Lei Paulo Gustavo e da Lei Aldir Blanc, que apoiam projetos culturais no país, incluindo MT, como fatores de incremento do setor.

Nessa linha, ele citou os editais lançados pelo governo estadual com objetivo de estimular as ações e projetos culturais, garantindo o financiamento, a manutenção de espaços e de iniciativas artísticas culturais em MT.

Mas para o ator Eduardo Butakka, o teatro na cidade “vai mal porque não existe mercado sustentável”. Cuiabano, 38 anos, Eduardo começou a atuar em 2003 no grupo Pessoal do Ânima, com teatro amador na capital. Depois se profissionalizou com oficinas e cursos livres e cursou Teatro na Universidade de Brasília.

“A gente avançou com o curso tecnólogo em teatro da Unemat, com a MT Escola de Teatro, porém, a empregabilidade para o artista das cenas é muito tímida”, pontuou ele à coluna. Eduardo enfatizou que o teatro “carece de recursos e de uma economia criativa que movimenta o setor”.

A atuação de Eduardo no teatro foi sempre voltada para o humor. Ele contou que produziu conteúdos na internet para divulgação de seu trabalho e já fez projetos audiovisuais. “Mas me conecto mesmo com minha arte é no palco, na arte de agora”, declarou.

Aproveite este próximo domingo (30) para conferir a performance de Eduardo Butakka na comédia Professora não é palhaça! às 19h, no Cine Teatro Cuiabá.

Vá ao teatro!

 

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