Banner
Banner

Autódromo de Cuiabá “não tinha condições” para estreia, diz diretor de prova

Treino livre da Stock Car/ Foto: Marcelo Machado de Melo/BRB Stock Car

Da redação 

Além do vendaval que causou susto e prejuízo na inauguração do Autódromo Internacional, localizado no Parque Novo Mato Grosso, documentos revelam que falhas graves na organização da prova por parte da Vicar, a empresa que controla e promove a Stock Car e outras categorias. O diretor de prova da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Renan Casetta, registrou diversas irregularidades na etapa realizada entre 13 e 15 de novembro de 2025. O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes, tem minimizado os problemas.

Segundo o site Grande Prêmio, Casetta relatou que os trabalhos começaram em um autódromo que “não tinha todas as condições para a realização da prova”, com precariedade estrutural, falhas de segurança e até episódios de invasão de pista. Ele apontou “muitas entradas desprotegidas” e afirmou que, “por diversas vezes”, a direção de prova precisou usar o carro de resgate para retirar espectadores de áreas proibidas.

Apesar de entrar no cronograma da temporada 2025 como a primeira corrida noturna da história da Stock Car, recebendo elogio de pilotos e políticos, a pista tem uma série de problemas a serem resolvidos, segundo o relato do diretor de prova.

Renan Casetta destacou que a área dos boxes alagava com facilidade, mesmo sob chuva leve. Uma tempestade mais forte, que adiou a corrida sprint após o classificatório, chegou a inundar parte da estrutura e, segundo a reportagem, a água atingiu até a cozinha, “provocando contaminação de alimentos e resultando em intoxicação de centenas de pessoas”.

Atividades atrasadas e cancelamentos

Os documentos divulgados mostram que a quarta-feira (14) começou com atraso por causa da indisponibilidade das câmeras do circuito, o que obrigou a distribuição emergencial de comissários desportivos ao redor da pista para viabilizar as primeiras sessões. Os dois treinos livres programados para a noite foram cancelados — inicialmente pela falta de estrutura funcional e, depois, pelos fortes ventos que danificaram instalações.

Casetta também criticou a atuação da Secretaria de Provas, que, segundo ele, “não tinha conhecimento de como gerar o grid de largada e tampouco dispunha de material básico, como folha sulfite”.

Foto: Reprodução redes sociais

Logística falha e reclamações à Vicar

O diretor descreveu ainda problemas na logística da Vicar. Ele relatou que a empresa “não disponibilizou veículos básicos de aluguel para toda a equipe desportiva” e que as vans de transporte não atendiam aos horários necessários, deixando comissários aguardando por longos períodos após jornadas exaustivas.

De acordo com os documentos, na quarta-feira a equipe técnica teria esperado mais de 65 minutos por uma van para retornar ao hotel após 14 horas de trabalho. Casetta classificou o episódio como um “desvio do básico que temos em qualquer categoria nacional”.

Prova sem comissários técnicos

Uma das revelações mais graves destacadas é que, devido a uma mudança repentina no cronograma, a corrida da categoria Turismo Nacional aconteceu sem a presença dos comissários técnicos da CBA.

Casetta relatou que o horário da prova foi antecipado em 90 minutos “sem aviso prévio”, e os comissários ainda estavam no hotel aguardando transporte. Isso, segundo ele, gerou um “problema grave para a execução da prova”.

Itens reprovados no check-list

No check-list final, o diretor de prova assinalou como “NOK” (não OK) diversos pontos essenciais, entre eles:

  • telas de proteção,
  • postos de sinalização,
  • PSDP (Posto de Sinalização da Direção de Prova),
  • requisitos gerais de segurança.

As informações divulgadas expõem fragilidades operacionais da Vicar na etapa inaugural de Cuiabá e colocam em dúvida a capacidade do autódromo de receber grandes eventos sem correções estruturais.

Problemas na estrutura

O governador Mauro Mendes tem minimizado o desabamento parcial de uma arquibancada durante evento da Stock Car. Em declaração,  ele comparou a falha estrutural a erros de escrita na imprensa, tratando o episódio como algo menor. Mendes também agradeceu à chuva que derrubou a cobertura, dizendo que havia 45 dias sem precipitação. Também citou “falhas” que já viu em locais como Disney e Torre Eiffel para relativizar o ocorrido. Ao celebrar a grandiosidade do evento, ignorou questionamentos sobre segurança e investimentos públicos.

Reprodução: Grande Prêmio

Compartilhe

Assine o eh fonte

Tudo o que é essencial para estar bem-informado, de forma objetiva, concisa e confiável.

Comece agora mesmo sua assinatura básica e gratuita: