

A chegada de 2026 e nossas escolhas
Às vésperas de 2026, quando o eleitor terá, mais uma vez, a oportunidade de escolher seus representantes pelo voto, quero tratar de nossas escolhas para o Ano Novo.
A política e a economia estão entrelaçadas. Cada decisão do Congresso, mais dia, menos dia, afetará nosso bolso e, em muitos casos, nosso futuro.
Assim, repito uma pergunta que já fiz neste espaço. Será que os nossos interesses como sociedade, ou mesmo como trabalhadores, estão sendo levados em conta nas decisões do Congresso? Eu penso que não.
Não sei vocês, mas nesses dias de dezembro, quando o foco da maioria das pessoas está nas festas de fim de ano, eu fiquei torcendo para que o recesso do Congresso começasse logo, para a gente ter uma trégua depois de tantas notícias ruins.
Nas últimas semanas, vimos a Câmara dos Deputados rejeitar a cassação de uma parlamentar condenada a 10 anos de prisão por invadir e adulterar informações do sistema nacional de Justiça; e a cinco anos e três meses por perseguir com uma arma em punho um apoiador do presidente Lula pelas ruas de São Paulo.
Carla Zambelli fugiu do país e foi capturada na Itália, onde está presa à espera da extradição. Tudo isso pareceu pouco para os deputados seguirem o que diz a Constituição e cassarem a deputada. Para a maioria da Câmara pareceu mais razoável manter o mandato da parlamentar, que não poderia exercê-lo por razões óbvias, mas continuaria recebendo salários e demais benefícios.
O desfecho dessa história, depois de o ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal, anular a sessão da Câmara, foi a renúncia de Zambelli, em mais uma manobra para desafiar a Suprema Corte e obter alguma vantagem.
Ainda na Câmara foi aprovado o PL da Dosimetria, uma anistia disfarçada, com a redução substancial das penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
O texto aprovado na calada da noite pelos deputados abriu espaço para a redução de penas de outros condenados. No Senado, um acordão – que não se sabe bem como foi feito – permitiu a aprovação de um texto remendado que teoricamente restringe as benesses aos condenados pelo 8 de janeiro.
Há poucos dias, uma multidão ocupou as ruas em várias capitais do país para protestar contra a anistia, a dosimetria e o Congresso, porque fica cada vez mais evidente que os interesses da sociedade não estão sendo levados em conta pelo Parlamento. As votações para reduzir as penas dos crimes contra a democracia são exemplos claros de que o Congresso atua de costas para a vontade da maioria, nesse caso da dosimetria, manifestada tanto na rua como nas pesquisas.
Outra decisão tomada pelo Senado recentemente também não reflete os interesses da sociedade, mas de grupos que exercem enorme influência no Parlamento, como o agronegócio.
Falo do Marco Temporal, que limita a regularização de terras indígenas às áreas que estavam sendo reivindicadas em 1988, quando a Constituição atual foi promulgada.
O STF acaba de declarar a lei inconstitucional, mas a queda de braço com o Congresso parece não ter fim nessa questão. O que temos a ver com isso? Muita coisa. A demarcação de terras não beneficia apenas os indígenas, mas assegura a preservação do meio ambiente e reforça o combate ao garimpo ilegal na Amazônia e em outras áreas protegidas.
Assegurar a posse da terra para os povos originários resgata uma dívida histórica com esses povos, mas não apenas isso.
Preservar essas áreas contribui para a sobrevivência das futuras gerações e isso não é pouco. Mas o Congresso tem mostrado que não se importa com questões que envolvem a preservação do meio ambiente, ignorado os apelos e os alertas cada vez mais alarmantes sobre as mudanças climáticas.
Há poucas semanas, os congressistas derrubaram os vetos do presidente Lula a uma nova lei ambiental aprovada este ano. Os trechos derrubados pretendiam preservar o meio ambiente, mas prevaleceu a visão do agronegócio, o que resultou em enorme retrocesso em relação ao que já tínhamos conquistado.
Também em 2025, os parlamentares mostraram que, quando se trata dos interesses dos trabalhadores, eles não têm pressa. Na Câmara, o projeto de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil ficou parado por meses. E só foi aprovado depois de muita pressão popular.
A PEC que acaba com a jornada de trabalho 6 x 1 também está emperrada no Congresso. Dois projetos estão em discussão, um na Câmara e outro no Senado. O governo defende a proposta, mas não tem força para aprová-la sem a adesão de outros partidos. E, mais uma vez, o lobby poderoso de setores econômicos, no caso, do empresariado, tem prevalecido.
É esse o Congresso que queremos renovar no ano que vem? Eu digo que não. E a escolha estará nas nossas mãos, porque, ainda bem, vivemos em uma democracia.
Se você, assim como eu, não está satisfeito, em 2026 se informe, reflita e fique muito atento na hora de escolher seu candidato. Faça uma escolha consciente, baseada no que espera do seu representante. Certifique-se de que ele trabalhará para defender as pautas que lhe são caras.
A Casa do Povo precisa defender os interesses da sociedade ou não será merecedora do seu, do meu, do nosso voto.
Que 2026 nos traga esperança de dias melhores. Na política, na economia e na luta por um país mais justo e menos desigual. Esses são os meus votos!
Feliz Natal!
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