De olho na boutique dela
Jairo Pitolé Sant’Ana*
É! O ano não começou bem. Já em seu terceiro dia, uma surpresa preparada de antemão. (Donald) Trump sequestra (Nicolás) Maduro, na Venezuela, de olho, claro, em suas imensas reservas de petróleo (303 bilhões de barris ou 20% do total mundial) e de ouro (a maior da América Latina). Já se apropriou de algumas dezenas de milhões de barris e decidiu que o dinheiro arrecadado será utilizado, pelos venezuelanos, na compra de produtos norte-americanos.
Mais ou menos, segundo li dias atrás, como funcionam as milícias e facções brasileiras, presentes na vida de uma população equivalente à da pequena Veneza latino-americana (28 milhões), moradora de cidades com mais de 500 mil habitantes. Por aqui, também se sequestra, mata-se opositores, impõe-se regras e vende-se produtos e serviços, como gás de cozinha e internet. Por falar nisso, o rapto de Maduro deixou pelo menos 100 mortos, quase a média diária de assassinatos no Brasil (em torno de 125, em 2023).
A semelhança para aí. Uma é local, enquanto a outra quer ser a única a usufruir do mundo ou parte dele, especialmente a considerada como seu “quintal”. Veja o que disse Trump a deputados do Partido Republicano. “Ninguém é páreo para nós. Ninguém capaz de fazer o que fizemos”, arrematando: “Os EUA provaram, mais uma vez, que são os mais poderosos, os mais sofisticados e sem medo em todo o planeta Terra. (…) nós somos muito rápidos, ninguém tem essas armas”. Neste meio tempo, já ameaçou Groelândia, Colômbia, México, Cuba e Irã.
Se esqueceu de combinar com dois de seus principais oponentes, também interessados no petróleo venezuelano: Rússia (maior arsenal nuclear terrestre) e China (terceiro poderio militar do planeta). E levou um chega pra lá do presidente alemão, que pediu ao mundo “para não deixar a ordem econômica mundial se desintegrar em um ‘covil de ladrões’, onde os inescrupulosos pegam o que querem”.
Além disso, os obstáculos não são apenas externos. Internamente, o assassinato, em Minneapolis, de Renee Nicole Good, cidadã norte-americana, branca, por um agente do Serviço de Imigração, colocou mais lenha na fogueira. Autoridades trumpistas tentaram, a la Carla Zambelli, associá-la a terroristas, mas um vídeo mostra a mulher fugindo e o policial atirando contra o veículo. Paralelamente, uma pesquisa da Reuters/Ipso, divulgada na semana passada, mostra que apenas um terço dos estadunidenses foram favoráveis à invasão.
O fato é que em novembro deste ano, logo depois das eleições brasileiras, os americanos vão às urnas para escolher todos os 435 membros da Câmara dos Representantes e 35 das 100 cadeiras do Senado. Se Trump perder, ele sabe disso, pois externou este pensamento na semana passada, pode sofrer impeachment. O que não seria uma péssima notícia para o Brasil, sempre cobiçado por sua incontável riqueza mineral. E a volta, pelo menos aparente, da diplomacia, mesmo com todos os seus defeitos, como método de negociação entre as nações.
*Jairo Pitolé Sant’Ana, é jornalista em Cuiabá
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