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Jornalismo investigativo enfrenta a tirania do poder político e econômico

Pedro Pinto de Oliveira*

Imagem/Reprodução PNB Online

O Jornalismo é uma prática social de cinco séculos. Em cada tempo e contexto do estado da cultura e política, os desafios variam, quase sempre com as mesmas tensões desafiadoras a partir questões centrais: 1) a responsabilidade de tornar comum, como citava sempre o professor de Jornalismo Nilson Lage, ou seja, de democratizar o conhecimento, e 2) a garantia da liberdade de investigar e de informar tudo aquilo que for de interesse público.

O contexto atual é de uma tirania tão truculenta quanto sutil. A tirania assume formas variadas de ameaças ao trabalho do Jornalismo: a ascensão de governos autoritários de viés totalitário; a concentração absurda de poder nas mãos das Big Techs; a censura judicial, as ameaças de morte e os assassinatos de jornalistas cometidos por facções criminosas ou políticos, por conta de interesses contrariados, e o poder econômico.

Sim, podemos dizer que alguns destas formas tiranas são ameaças de sempre à comunicação livre que sustenta uma democracia. E interfere no trabalho básico do jornalismo investigativo. Um trabalho, como enumera o jornalista Miguel de Almeida, que tem um passo a passo específico: verificar os fatos; procurar descobrir se o que tem em mãos é seguro e verdadeiro; sair atrás de novas fontes e, se tem credibilidade profissional, uma reputação de respeito na sociedade, conhecido por respeitar e cumprir acordos com suas fontes, conseguir cercar e comprovar versões.

“Por seu prestígio, atrai novos informantes. Outros descalabros são trazidos a público. Suas revelações ajudaram a encurtar uma guerra, a terminar cruéis sessões de tortura contra prisioneiros, afastar um presidente corrupto. Vidas foram poupadas. A civilização ganha com um jornalismo independente quando pode se defender de quem a usurpa”, diz Almeida em relação a Seymor Hersh, ícone do jornalismo investigativo norte-americano e figura central do documentário “Cover-up”, de Laura Poitras e Mark Obenhaus.

O PNB Online tem no seu quadro o jornalista Lázaro Thor, jovem profissional dedicado ao jornalismo investigativo. As matérias de apuração de denúncias de escândalos políticos e econômicos escritas por Thor são de interesse público. Por princípio, são sempre cuidadosamente construídas a partir dos pilares da ética, do sigilo das fontes e do respeito aos fatos. Em termos de Mato Grosso, no contexto atual do poder político e econômico, é efetivamente um desafio diário fazer o jornalismo de compromisso com a comunicação livre e democrática.

Ao fim e ao cabo, reúno aqui, para maior contribuição à reflexão dos leitores, sínteses do pensamento de professores de jornalismo e de jornalistas sobre o tema Jornalismo Investigativo:

“Interesse público e esforço do repórter são características do jornalismo investigativo. É mais apurado, demanda várias fontes, leva mais tempo para ser feito, é um jornalismo ditado pela investigação. Difere do jornalismo do dia a dia, que é ordenado pelos fatos e comunicado de forma simples. Mesmo enfrentando desafios, é de extrema importância para manter a credibilidade no jornalismo nestes tempos atuais de desinformação e fake news”. (Sonia Maria Duarte Zaramella, jornalista e professora aposentada da UFMT)

“A violência verbal contra jornalistas, a publicação de mentiras em ambientes digitais, mas não só nestes, a manipulação de informações e ameaças são hoje as principais armas de setores da sociedade interessados em desacreditar e difamar a atividade jornalística. Entre os gêneros jornalísticos, o investigativo é um dos mais agredidos. Isso porque, o jornalismo investigativo precisa de credibilidade e confiança de suas fontes; também porque os custos de uma cobertura investigativa são sempre maiores; e mais, a insegurança e o constante estado de alerta afetam a saúde do profissional. Desmontar as armadilhas contidas nas fakenews contra a democracia, contra a distribuição de renda, contra a educação, contra tudo que diz respeito à melhoria das condições de vida da população brasileira tem sido um dos grandes desafios do jornalismo investigativo”. (Benedito Diélcio Moreira, jornalista e professor da UFMT)

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“Toda prática jornalística é, com dose maior ou menor, investigativa. No entanto, a profissão e mesmo o pensamento científico da área convencionaram chamar de jornalismo investigativo a atuação do ofício que se debruça mais longamente sobre uma pauta, buscando dados e contextos que possam dar robustez à apuração. Em regra, traz uma cobertura de elevado interesse público e de notória relevância social, razão pela qual o seu exercício, normalmente evidenciado em reportagens, é fundamental para manter a sociedade bem-informada”. (Thiago Cury, professor de Jornalismo da UFMT)

“A reportagem investigativa não pode se contentar com a superficialidade. É necessário ir a fundo na apuração e na verificação das informações. Uma investigação bem conduzida pode, inclusive, servir como prova para a Justiça e transformar histórias de vida. Em contrapartida, quando se sustenta na superficialidade ou no imediatismo, pode destruir reputações e vidas”. (Janã Pinheiro, jornalista, chefe do Cerimonial do Ministério Público de Mato Grosso)

“Fascinante! Já trabalhei como repórter investigativo e sei da importância para a sociedade dessa linha do jornalismo. É arriscado, mas é fundamental para trazer à luz o que se esconde por detrás das cortinas. Exige tempo, paciência, coragem, uma boa intuição e, sobretudo, ética, para que o trabalho não caia em descrédito”. (Agnello de Mello e Silva, coordenador de Comunicação da Presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso)

 

*Pedro Pinto de Oliveira é jornalista e professor da UFMT. Mestre em Ciências da Comunicação pela USP e doutor em Comunicação pela UFMG.

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O artigo foi publicado originalmente no PNB Online

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