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Oito de abril de 1719: o dia em que Cuiabá nasceu

 

No início do século XVIII, bandeirantes paulistas avançavam pelo interior do Brasil em busca de indígenas. Foi numa dessas expedições que o Capitão-Mor Pascoal Moreira Cabral chegou às margens do ribeirão Coxipó. Após uma batalha com os índios coxiponés, seus homens encontraram ouro e a missão mudou de rumo.

A notícia correu rápido, em pouco tempo foi formado um arraial. Para garantir os direitos da descoberta perante a Coroa portuguesa, Cabral reuniu seus companheiros e mandou registrar o achado em cartório. Era 8 de abril de 1719.

Aquele documento, assinado por 19 homens, é a certidão de nascimento de Cuiabá, hoje capital de Mato Grosso e uma das cidades mais antigas do Centro-Oeste brasileiro.

A seguir, o texto original do termo lavrado naquele dia:

Aranzel de criação do arraial de Cuiabá 

“Aos oito dias do mês de abril de mil setecentos e dezenove anos, neste arraial de Cuiabá, fez junta o Capitão-Mor Pascoal Moreira Cabral, com os seus companheiros, e lhes requereu a eles este termo de certidão, para notícia do descobrimento novo, que achamos no ribeirão do Coxipó, invocação de Nossa Senhora da Penha de França, depois que foi o nosso enviado, o capitão ANTONIO ANTUNES, com as amostras que levou de ouro ao senhor General, com a petição do dito Capitão-Mor, fez a primeira entrada onde assistiu um dia e achou pinta de um vintém, de dois e de quatro vinténs e meia pataca, e a mesma pinta fez na segunda entrada, em que assistiu sete dias e todos os seus companheiros às suas custas com grandes perdas e riscos em serviços de sua Real Majestade, e como de feito tem perdido oito homens brancos, fora negros, e para que a todo tempo vá isto à notícia de Sua Real Majestade e seus governos, para não perderem seus direitos, e por assim ser verdade, nós assinamos todos neste termo o qual eu passei em fé fielmente, à fé do meu ofício, como escrivão deste arraial”.

Pascoal Moreira Cabral – Simão Rodrigues Moreira, Manoel dos Santos Coimbra, Manoel Garcia Velho, Baltazar Ribeiro Navarro, Manoel Pedroso Louzano, João de Anhaia de Mingues, Manoel Ferreira, Antonio Ribeiro, Alberto Velho Moreira, João Moreira, Manoel Ferreira de Mendonça, Antonio Garcia Velho, Pedro de Goes, José Fernandes, Antonio Moreira, Ignácio Pedroso, Manoel Rodrigues Moreira, José Paes da Silva.

(texto extraído da obra “História do Poder Judiciário de Mato Grosso” – João Antonio Neto – Cuiabá, 1985.)

 

COLUNA

Sônia Zaramella

Relatos e fatos, pessoais ou não, do passado e do presente de Cuiabá e de Mato Grosso.

Cuiabana de tchapa e cruz

Sou uma cuiabana de “tchapa e cruz” bairrista. Cuiabá é minha terra natal e a dos meus avós e dos meus pais e irmãos. Antes e agora, festejo os 307 anos de sua fundação com o coração cheio de afeto, alegria, gratidão e saudade também. Já escrevi isso, mas não custa repetir – sou devota de São Benedito, adoro comer pacu, piraputanga, paçoca de pilão, revirado de rim, carne com banana etc. Sou admiradora do (pouco) verde da cidade, da alegria do som do rasqueado e amo os rios e cachoeiras que circundam Cuiabá.

Entre altos e baixos, como cidadã e jornalista, sigo por aqui reverenciando minhas memórias e elogiando, quando faz jus, iniciativas, públicas ou privadas, de valorização de minha cidade. Porém, quando necessário, nunca deixei de exercitar meu direito de espernear, de reclamar e de me revoltar em relação, principalmente, aos gestores eleitos, para que cuidassem de minha cidade.

Tim-tim, Cuiabá !!!

 

COLUNA

Francisca Medeiros

Informações que unem o campo e a cidade.

Uma pau-rodado orgulhosa de Cuiabá

Sou uma pau-rodado que se converteu rapidamente em uma cuiabana interessada em tudo que é da cidade, do cotidiano das pessoas. Assim como tantos que para cá vieram, trouxe coisas legais na bagagem, mas aqui consegui me abastecer das novidades de um lugar que tem história, cara própria e abertura para acolher. Não tem como ficar indiferente em uma cidade que vibra e está em constante movimento, que vive mudanças profundas, mas que pede muita atenção e sensibilidade para mudar o que é preciso, sem, porém, abrir mão do essencial, da beleza de ‘quem sabe a dor e a delícia de ser o que é’, como escreveu Caetano. 

Nesses 307 anos da capital de Mato Grosso desejo que todos que aqui vivem cuidem bem do que lhe cabe e se retroalimentem do espírito de acolhimento tão cuiabano. Que se orgulhem do privilégio de viver em um lugar diverso e que contribuam efetivamente para que a cidade seja próspera e inclusiva. E é importante que não percam de vista as ideias e ações de quem tem o papel de conduzir os rumos do desenvolvimento econômico, social e humano de uma terra mais que especial, onde é possível se construir memórias, laços genuínos e onde todos merecem viver em paz, com saúde, dignidade e respeito.

 

COLUNA

Adriana Mendes

Informações de política, judiciário e meio ambiente.

Como não sentir calor em Cuiabá

A frase ganhou fama na música “Te Ver”, do Skank, do álbum Calango, lançado em 1994. O calor cuiabano é literalmente marcante, tanto pelos dias quentes quanto pela receptividade do seu povo. Mas esse calor vem se transformando, assim como todo o planeta. Aqui parece que cada ano está mais quente, a dependência do ar-condicionado aumenta, e nunca vi tanta chuva como neste ano. De uma hora para outra, ruas alagadas, problemas expostos pelas obras inacabadas, e a cidade respondendo de forma clara que ainda tem muito a avançar em infraestrutura.

Nesta data em que Cuiabá completa 307 anos, o que fica é a resiliência desta capital: uma cidade que carrega em sua memória o calor dos tempos e o calor do seu povo. E é justamente dessa consciência que defendo um recomeço. Um recomeçar a plantar mais árvores, para merecer de volta o título de cidade verde. Um recomeçar a ter ruas sem buracos. Um recomeçar a fazer novos planos. Que venha o recomeço nesta comemoração!

 

Foto: Prefeitura de Cuiabá

“Um jeito digoreste de sentir”

Com linguagem saborosa e carregada de afeto, Judite Rosa e Natacha Wogel retratam a essência de uma Cuiabá marcada pela cultura, pelos costumes e pelo jeito único de seu povo. Entre sabores, expressões e tradições, o texto convida o leitor a mergulhar em uma cidade que preserva traços de identidade ainda vivos e cada vez mais necessários de serem lembrados, em um retrato que atravessa o tempo, publicado em 2000 no jornal Folha do Estado. Confira aqui

 

 

Leia o QRCODE ou copie a chave pix: 48.890.006/0001-08

 

Foto: Emanoele Daiane/Prefeitura de Cuiabá

Parabéns, Cuiabá! Menos infelicidade!

Aos 307 anos, Cuiabá é retratada por Jairo Pitolé sob um olhar crítico e provocador, que questiona a ausência de governança e os impactos de um crescimento desordenado. Entre memórias de uma cidade marcada por rios e córregos e a realidade atual de abandono, calor e precariedade urbana, o artigo convida o leitor a refletir sobre como a capital mato-grossense chegou a esse cenário e o preço que se paga por décadas de descaso. Leia aqui. 

 

Programação de aniversário

A comemoração pelos 307 anos de Cuiabá será realizada entre esta quarta-feira (8) e sexta-feira (10), no Parque das Águas. Com programação gratuita, o público contará com opções de estacionamento  dentro do parque e na área da Assembleia Legislativa (ALMT).

O transporte público também será gratuito: nesta quarta-feira, das 0h às 23h59, e nos dias 9 e 10, das 18h à meia-noite. Confira a programação:

Quarta-feira (8)

17h – Abertura e boas-vindas ao Cuiabá 307 anos, da Feira de Artesanato Herança Cuiabana e do Festival do Baguncinha

18h – Apresentações do grupo de cururu Tradição Cuiabana e dos grupos de siriri Raízes Cuiabanas, Voa Tuiuiú e Coração Tradição Franciscano

20h – DJ Pedrinho

20h15 – Atração regional gospel com Bruno Cerqueira, Nataly Jovio e Holy Praise Music

21h40 – Show nacional da Banda Morada

Quinta-feira (9)

17h – Abertura da Feira de Artesanato Herança Cuiabana e do Festival do Baguncinha

18h – Apresentações de rasqueado cuiabano com DJ Juliano, Kleber Leite e Comadre Sebastiana

19h – Show nacional do cantor Boca Nervosa

21h – Roberto Lucialdo, com participação especial de Dilson de Oliveira

22h – João Eloy

23h – Edmilson Maciel

00h – Gilmar Fonseca

Sexta-feira (10)

17h – Abertura da Feira de Artesanato Herança Cuiabana e do Festival do Baguncinha

18h – Apresentações do lambadão cuiabano com Scort Som, Os Maninhos, Tô Pop Som, Grupo de dança Lambadeiros de Elite, Lambadão di Rocha, Os Amigos, Banda Ellus e Banda Mega Som

 

Também em celebração, o Museu de História Natural de Mato Grosso promove, nesta quarta-feira (8), às 9h, a oficina “Asas da Imaginação”. A atividade inclui observação de aves e é voltada para participantes a partir de 6 anos.

O telefilme “Amor em Movimento”, com roteiro e direção de Danielle Bertolini e Perseu Azul, terá sessão gratuita de lançamento nesta quarta-feira (8), às 13h30, no Pantanal Shopping.

Celebra Cuiabá – Show com Pescuma, Henrique & Claudinho, hoje (8), às 18h45, Espetáculo “Bença Vó” com Grupo Folclórico Flor Ribeirinha, às 20h45, no Jardim do Sesc Arsenal.

 

Observatório Dom Bosco- Fundado pela Missão Salesiana

Comemorações em 8 de abril

Fundação do 1º Observatório Meteorológico D.Bosco (1906); criação do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso (1919); surge a iluminação elétrica de Cuiabá (1919); Fundação do Clube “3 de Outubro” (1932); Fundação do Museu Pedras “Ramis Bucair” (1959); inauguração do Monumento Bandeirantes, do Índio e do Negro (1969); inauguração do Estádio “Governador José Frafelli” – Verdão (1976); vai ao ar a rádio Cuiabana de Melodias (1978); criação da Banda Municipal “Vila Real do Senhor Bom Jesus de Cuiabá” (1986); surgem os jornais “8 de Abril” (1919) e “O Estado de Mato Grosso” (1934). 

 

 

Demolição da antiga catedral de Cuiabá / Foto: reprodução

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução/ desenho Moacyr de Freitas

 

Cuiabá faz aniversário! Por isso, fazemos uma pausa hoje e voltamos na sexta-feira com tudo o que você precisa saber.

Bom feriado!