Melancia, onça e indiretas: as fórmulas da campanha ao Senado em MT

 

Por Adriana Mendes

Uma melancia para acusar adversários de “vermelhos por dentro”, comparação com uma onça, trajetórias pessoais, indiretas sobre corrupção e lembranças da infância foram destaques no início da propaganda eleitoral no rádio e TV. A disputa ao Senado em Mato Grosso tem estratégias opostas – da encenação emotiva ao ataque disfarçado.

Serão dois senadores eleitos pelo estado nas eleições de 2026, e a renovação da Casa é apontada como decisiva tanto para a direita quanto para a esquerda.

O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) aumentou o tom de voz para apresentar as realizações de seu governo. De forma enfática, listou obras e resultados de sua gestão como argumento central da candidatura e evitou fazer menções diretas aos adversários.

Margareth Buzetti (PP), suplente de Carlos Fávaro (PSD) e que já exerceu o mandato no Senado, destacou sua atuação no Congresso, principalmente no combate ao feminicídio, e reconheceu ser pouco conhecida pelo eleitorado. “Talvez você não me conheça porque, enquanto estavam fazendo política, eu estava trabalhando”, afirmou. Fávaro também disputa uma das duas vagas.

O deputado federal José Medeiros (PL) apostou no apelo emocional ao relembrar a fome que enfrentou na infância. Também exibiu uma declaração de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso. Nas inserções, apareceu com uma melancia para criticar adversários que se apresentam como de direita, mas seriam “verdes por fora e vermelhos por dentro”. Isto é, teriam histórico de proximidade com a esquerda. A crítica alcança até integrantes de sua própria chapa, como o senador Wellington Fagundes (PL), que recorreu à Justiça para retirar do ar peças de adversários que o associam à esquerda

Já a deputada estadual Janaina Riva (MDB) mostrou sua história de vida para destacar que “lutou como uma verdadeira onça”. A campanha usa o animal selvagem para associar a personalidade da candidata. A deputada também apresentou sua trajetória e reforçou no final que “a onça está solta”.

Antônio Galvan (Avante), produtor rural e ex-presidente da Aprosoja, apresentou seu histórico no agronegócio como principal credencial de candidatura. A inserção teve menos recursos de imagem e tempo de tela do que a dos demais concorrentes.

Já o ex-governador e ex-senador Pedro Taques (PSB), que foi procurador do Ministério Público Federal, destacou a “coragem” para enfrentar a corrupção. No final da inserção, deu uma indireta ao adversário Mauro Mendes sobre o caso da Oi: “Panhou ou não panhou?”, dizia a mensagem na tela – referência ao caso Oi, acordo de R$ 308 milhões entre o governo de Mato Grosso e a operadora que hoje é investigado pela Polícia Federal sob suspeita de desvio de recursos por meio de fundos de investimento. Mendes nega irregularidades.

O senador Carlos Fávaro (PSD) colou sua candidatura ao governo Lula e apresentou dados de sua atuação à frente do Ministério da Agricultura. Nas inserções, o ex-ministro destacou 23 quilômetros de estradas pavimentadas no município de Jangada, que tem pouco mais de 7 mil habitantes e recebeu R$ 29 milhões em emendas parlamentares destinadas por ele.

A escolha de Jangada como exemplo também remete a uma controvérsia anterior. Em reportagem publicada no ano passado, a Folha de S.Paulo apontou Fávaro como o parlamentar que mais enviou recursos para beneficiar um aliado eleito. O município de Jangada é administrado pelo prefeito reeleito Rogério Meira, também filiado ao PSD.

Compartilhe

Assine o eh fonte

Tudo o que é essencial para estar bem-informado, de forma objetiva, concisa e confiável.

Comece agora mesmo sua assinatura básica e gratuita: