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Adriana Mendes

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O governador de MT que ficou quieto

Foto: Christiano Antonucci/Secom – MT

A reeleição de Otaviano Pivetta (Republicanos) no primeiro turno em Mato Grosso, com 1.128.099 votos, 60,77% dos válidos, surpreendeu, pela dimensão, tanto o próprio governador quanto o seu grupo político. Na reta final, as pesquisas indicavam vitória sem necessidade de segundo turno, mas não com uma vantagem tão expressiva. Pivetta teve cerca de sete pontos a mais do que apontavam os levantamentos.

A dobradinha planejada com o ex-governador Mauro Mendes (União) acabou sendo mais vantajosa para Pivetta. Na véspera de fechar a chapa, após uma operação da Polícia Federal, ele conseguiu trocar o então candidato a vice Fábio Garcia (União) por Gisela Simona (União).

A candidatura de Pivetta ao governo, com apoio do Republicanos a Mendes ao Senado, era costurada há anos. Mendes renunciou no fim de março e Pivetta assumiu na mesma data, o que lhe deu a máquina do estado e a imagem de governador antes da campanha. Foi uma sucessão desenhada e bem-sucedida, o que torna a próxima pergunta mais delicada: quem lidera o grupo agora?

Na mesma eleição, Mauro Mendes foi o mais votado para o Senado, com 1.131.814 votos na apuração parcial. Os números não são diretamente comparáveis, porque no Senado cada eleitor tinha dois votos. Ainda assim, mostram que o antecessor tem peso eleitoral equivalente ao do governador que ele deixou no cargo.

A resposta dependerá, sobretudo, da articulação política. Em conversa com a coluna em 2024, quando evitava entrevistas, Pivetta se mostrava desgostoso com o governo. Chegou a declarar: “Sabe por que ainda estou aqui? Porque eu fico quieto”. Passou quase todo o mandato na sombra de Mauro Mendes, evitando confronto.

Em março de 2025, chegou a afirmar que mudaria o secretariado de Mauro assim que assumisse. “Eu tenho minhas ideias e acho que temos que corrigir alguns rumos.” Foi repreendido por aliados e recuou. Ao assumir, manteve o staff, com trocas apenas de quem já tinha previsão de sair para disputar o pleito de 2026.

Agora, o discurso se repete. Mas, reeleito e com a chancela das urnas, Pivetta tem menos motivos para evitar o confronto com Mendes. Há divergências sobre a extensão das mudanças. “Deve fazer muitas mudanças e não vai apostar no erro. Se o secretário ou presidente não tiver bom desempenho, será substituído”, disse um dos interlocutores do grupo. Outros apostam em apenas “ajustes pontuais”.

Na campanha, Pivetta precisou mudar de postura e deixar de lado o perfil discreto. O marketing ajudou a construir uma imagem mais forte do que a do adversário. O senador Wellington Fagundes (PL), apontado no início como favorito, acabou derrotado, e os erros de sua campanha merecem uma análise à parte.

Pivetta venceu com folga, mas o mapa do poder em Mato Grosso ainda tem dois centros. A convivência entre eles, a partir de janeiro, vai definir se o grupo segue unido até 2030.

O atual governador que passou anos “quieto” como vice agora tem 1,1 milhão de votos para falar. Resta saber se vai usá-los para ajustar o governo de Mauro Mendes ou para começar, enfim, o seu.

 

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