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Dragon Ball é melhor que Naruto

Fátima Lessa*

Imsgem :IA

Tem histórias que começam com uma reunião de escola… e terminam em uma pequena obra-prima.

Era para ser mais uma daquelas reuniões sérias, de pais e mestres, quase solenes. Pais sentados nas cadeiras, olhares e ouvidos atentos, professores falando com aquela voz professoral sobre os “perigos” do mundo moderno.

Em certo momento, uma das professoras fez a seguinte pergunta: “O que vocês diriam aos seus filhos hoje?”.

E então desfilaram as palavras de sempre: “Persistência”, “Resiliência”, “Foco no futuro”.

Tudo comum. Tudo bonito. Tudo… previsível.

Até que chegou a vez dele.

Oficial da Polícia Militar, estava com um ar cansado. Soube que tinha chegado em casa já amanhecendo, depois de uma noite cheia de ocorrências, mas, ainda assim, foi à reunião.

Levantou-se, postura firme, daquelas que muita gente já imagina discurso antes mesmo de abrir a boca. Talvez esperassem algo duro, disciplinador, cheio de “dever” e “honra”. Mas pai de verdade, pai bom mesmo, às vezes gosta mesmo é de surpreender.

Ele respirou e disse, com a maior naturalidade do mundo:

— “Minha filha, Dragon Ball é melhor que Naruto.”

Silêncio.

Mas era um silêncio daqueles que não vêm do entendimento, e sim da completa falta dele. Professores tentando processar. Fiquei olhando ao redor e percebi pais confusos. Talvez alguém tenha pensado: “Foi isso mesmo que ele disse?”

Eu sorri.

Mas ali, naquele instante aparentemente fora do lugar, tinha muito mais do que uma piada.

Tinha um pai dizendo, do jeito dele: “Eu tenho história”; “Eu tive infância”; “Eu sei brincar com você no seu mundo.”

Porque não era sobre anime. Nunca foi. Era sobre ponte.

Dragon Ball, anime japonês da infância dele, é o passado. Naruto, também japonês, de outra geração, é o presente.

E, no meio disso, ele construiu algo raro: conexão sem discurso pronto.

Enquanto muitos pais repetiam clichês, ele ofereceu algo melhor: uma piscadela de cumplicidade. Um código secreto entre pai e filha. Um jeito de dizer “eu te vejo” sem precisar de frases de efeito.

Talvez ninguém na sala tenha entendido. Mas a filha entendeu. E isso já basta.

E, do lado de fora, no recreio da vida real, a tradução veio rápida e certeira:

—“Teu pai é massa.”

Ela, toda orgulhosa e com um ar displicente, respondeu simplesmente:

— “Também acho.”

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