COLUNA

Sônia Zaramella

soniaz@ehfonte.com.br

Relatos e fatos, pessoais ou não, do passado e do presente de Cuiabá e de Mato Grosso.

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Comentários militantes

Foto: IA

Não é de agora que se apontam comentários e posts de cunho ideológico no ecossistema digital como formadores de um espaço político alternativo. As manifestações de conflitos e de polarização são a base desse lugar. As mensagens são publicadas por usuários nas redes sociais e assinantes nos sites noticiosos, além das páginas dos veículos de comunicação tradicionais

Nessa linha, se encaixa bem um discurso do atual prefeito de Cuiabá feito esses dias, em praça pública, e noticiado pela imprensa local. No evento, ele incentivou a militância da extrema-direita cuiabana a abandonar a passividade e passar à ofensiva nas redes sociais, sugerindo, assim, claramente, um embate nas plataformas digitais.

Ao enfatizar estar “se lixando” para a parcela da população cuiabana que se identifica com a esquerda, o prefeito sugeriu aos direitistas que provoquem, na internet, petistas “nem que seja por hobby”, ou apenas pelo prazer de irritar os adversários políticos.

Depois de repetir seu mantra – “se 35% das pessoas de esquerda mandassem alguma coisa, Cuiabá já tinha tido prefeito petista” – fez pouco caso de comentários esquerdistas na internet, alertando, porém, na sequência, que a direita tem que “ter vergonha, coragem e se posicionar sem se omitir na rede social”.

“Quando entrar em uma publicação e ver um monte de petistas nos atacando, vai lá e o provoque, nem que seja por hobby, só para fazê-lo ficar irritado e gastar a tarde na internet respondendo seu comentário. Vai lá e ‘taca’ o terror”, recomendou o político bolsonarista.

Essa posição, portanto, se enquadra nesse ambiente político alternativo e tende a ganhar robustez nas eleições de 2026. Por definição, os comentários militantes se constituem em falas ativas, engajadas e combativas em defesa de uma causa, partido ou movimento, sempre marcadas por um forte viés ideológico.

O contraponto desse contexto, contudo, é o de que não se deve descartar, na internet, a existência de uma grande parte de usuários com contas nas redes sociais que não comentam, curtem ou postam conteúdo de apoio ou não às causas e pessoas, entre outras circunstâncias. Fogem de polêmica, só observam, preservam a privacidade.

Conhecidos como “silenciosos”, esse pessoal, que especialistas sinalizam como maioria, aposta na célebre frase do filósofo francês Jean-Paul Sartre, segundo a qual “cada palavra tem a sua consequência, cada silêncio também”. Ou seja, pondera sobre a responsabilidade do ser humano sobre suas ações e omissões.

Tal comportamento quieto não significa necessariamente desinteresse, mas sim um perfil de consumo passivo ou estratégico. E reforça que o silêncio também é uma forma de posicionamento ou ação.

Desse modo, antes que os embates políticos ganhem força nas redes sociais, ou na internet como um todo, incluindo a Inteligência Artificial (IA) para o bem e para o mal, cabe refletir sobre o tema para escolher entre ser um cidadão engajado, ou silencioso, ou prudente, entre outras possibilidades.

Sobretudo não se deve esquecer que a polarização política, na internet ou presencialmente, se caracteriza pela ausência de consenso e pela disputa de narrativas. É uma sociedade separada em dois blocos ideológicos opostos e antagônicos.

O que não é saudável, pois intensifica conflitos sociais, afeta relações familiares e coloca em risco a estabilidade democrática, entre outras consequências.

O curioso desta história é a performance política confusa do prefeito cuiabano – um dia, sugere que a militância abandone a passividade nas redes sociais, noutro dia revela que vai ficar neutro na disputa pelo governo de MT, no pleito de 2026, entre Otaviano Pivetta (Republicanos) e Wellington Fagundes, do PL, seu partido. Vai entender isso!

 

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