De Luanda a Cuiabá, os caminhos de Teresa Irene
Teresa Irene Ribeiro de Carvalho Malheiro é Cidadã Mato-grossense e Cidadã Cuiabana. Natural de Luanda (Angola), ela vive em Cuiabá há 50 anos. Chegou aqui junto com os pais e o irmão, fugidos da guerra civil angolana.
É reconhecida como a primeira professora doutora em Engenharia Elétrica de Mato Grosso. É apontada como primeira docente mulher do curso de Eletrotécnica da então Escola Técnica Federal de MT (ETFMT), hoje Instituto Federal (IFMT).
Quando entrou como docente na ETFMT (1982), em Cuiabá, o curso de Eletrotécnica, de nível médio, possuía um ambiente majoritariamente masculino. Engenheira eletricista, Teresa Irene se graduou pela UFMT, fez mestrado na Holanda, doutorado na Inglaterra e pós-doutorado em Israel.
Agora é professora do Instituto Federal de MT aposentada. Poliglota, tem duas nacionalidades – portuguesa e brasileira. Aos 67 anos, divorciada, é mãe de dois filhos, Carolina, advogada, e Luiz Antônio, economista, e avó de dois netos.
A família de Teresa Irene chegou ao Brasil em 1974. Ficou um ano no Rio de Janeiro e de lá veio para Mato Grosso, se estabelecendo em Cuiabá, a partir de 1975, depois de uma passagem por Tangará da Serra. O pai de Teresa era militar do exército português.
Na capital, ela e o irmão foram matriculados naquele ano na então ETFMT. Depois de superar as dificuldades de adaptação inerentes à nova vida, a família fincou raízes por aqui.
A mãe, filósofa, foi contratada como professora no Colégio Salesiano São Gonçalo; e o pai, economista de formação, se tornou fiscal de tributos do estado, após aprovação em concurso.
No momento, todo foco de Teresa Irene está dirigido ao livro que escreveu contando a história do curso de Eletrotécnica do agora IFMT, onde foi aluna e professora. Nos anos 2000 candidatou-se à diretora da instituição, à época denominada Cefet-MT, mas perdeu a eleição por um voto.
Para Teresa, lançar o livro – cujo título é Circuitos da vida; memórias técnicas e humanas. O curso de Eletrotécnica da ETFMT ao longo de seus 50 anos – significa “agradecer o país que acolheu minha família e retribuir a atenção da cidade e da escola onde estudei e dei aulas”.
Em capítulos, o livro aborda a criação do curso, que é o primeiro de ensino médio em nível técnico de MT, passando pela fundação e estruturação da escola e pela justificativa para sua constituição – a energia consumida de Goiás, a questão do Morro da Luz, a usina do Rio da Casca, entre outros pontos.
“Mas não é um livro sobre corrente elétrica, sobre tensão”, explicou Teresa Irene. A obra associa a trajetória do curso com a Cuiabá da época, por meio de 50 entrevistas que ela fez com ex-alunos de Eletrotécnica.
“Pesquisei todas as turmas do curso de 1967 a 2017, o tempo de 50 anos, registrei todos os estudantes que se formaram e entrevistei 50 ex-alunos que contaram suas experiências no curso. São casos diversos que dão um panorama humanizado da história do curso de Eletrotécnica, que é ofertado até os dias de hoje pelo atual IFMT.
Entre os entrevistados está Antonio, irmão de Teresa, que fez o curso na mesma época dela na ETFMT. Como segue até os tempos atuais, o perfil do curso é o de nível médio profissionalizante, podendo o estudante continuar, em nível superior, na área da eletrotécnica ou não.
Assim, no rol de ex-alunos figuram – e foram entrevistados por Teresa Irene para o livro – tanto o engenheiro eletricista Air Bom Despacho como a desembargadora Serly Marcondes, atual presidente do Tribunal Regional Eleitoral de MT.
Há ainda depoimentos de médicos, economistas, advogados – entre outros que se formaram – em que cada um deles relata a vivência no curso de Eletrotécnica da ETFMT.
O livro dos 50 anos do Curso, a ser lançado daqui a três meses, não é o primeiro da professora. Em 2025, ela publicou Amigas viajantes, que escreveu com Marly de Cerqueira Vasconcellos, também engenheira eletricista, contando as viagens que as autoras fizeram ao redor do mundo, com e sem roteiro.
Teresa Irene conhece 67 países. Conforme enfatizou, teve a oportunidade de estudar na África, Portugal, Brasil, Holanda, Alemanha, Inglaterra e Israel.
“Esses lugares não foram apenas pontos no mapa, foram capítulos vivos da minha história”.
Percebe-se, então, que dar aulas e viajar são duas paixões de Teresa Irene. Vida longa a ela!
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