Pivetta vence com projeto de continuidade; Lula e Flávio no 2º turno
A reeleição de Otaviano Pivetta (Republicanos) no primeiro turno, com 60,77% dos votos válidos, confirma a força do grupo político que governa Mato Grosso há oito anos. O governador transforma o resultado em um recado de estabilidade. O desfecho foi coerente com as pesquisas da véspera, que apontavam 54,3% (AtlasIntel) e 54% (Quaest) dos votos válidos, indicando um eleitorado consolidado desde antes da reta final.
Pivetta enfrentou o teste mais difícil de um projeto regional: provar que o modelo de governo sobrevive à troca de nomes. Na oposição, Wellington Fagundes (PL), com 23,19%, teve o apoio de Flávio Bolsonaro, mas acabou com o partido rachado. Apesar da longa trajetória no Legislativo, Wellington segue sem conquistar um cargo do Executivo nas urnas. Faltou convencer o eleitor de que poderia administrar o estado melhor do que um governo bem avaliado.
Natasha Slhessarenko (PSD), com 15,17%, também não abriu uma alternativa competitiva, e Rafael Millas (0,55%), Sargento Laudicério (0,17%) e Mauricio Coelho (0,15%) tiveram desempenho residual.
Ao celebrar a vitória, Pivetta afirmou ter sido “surpreendido” pelo resultado em 1º turno e reafirmou o compromisso de “servir ao povo e a Deus todos os dias”. A comemoração da vitória foi no tradicional Chopão, em Cuiabá. (Eh Fonte)
Recorde de reeleição
As eleições de 2026 bateram o recorde de governadores eleitos no primeiro turno, com ao menos 20 disputas definidas. A marca supera a de 2010, quando 18 das 27 unidades da Federação escolheram seus governadores sem segunda votação. A reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos) no primeiro turno em São Paulo simboliza a força da direita nas disputas estaduais. PL, Republicanos e PP conquistaram dez dos 19 governos já definidos, ampliando seu poder regional para os próximos quatro anos.
Confira a lista dos governadores eleitos. (Jota/O Globo)
Mauro Mendes e Zé Medeiros são eleitos senadores
O ex-governador Mauro Mendes (União) e o deputado federal Zé Medeiros (PL) foram eleitos senadores por Mato Grosso. Com 33,21% e 27,35% dos votos válidos, respectivamente, os dois conquistaram as duas vagas em disputa no estado. Na reta final da campanha, apenas a pesquisa AtlasIntel apontava Zé Medeiros entre os dois primeiros colocados.
A cuiabana Marina Cândia foi eleita senadora por Alagoas. Ex-primeira-dama de Maceió, ela ficou na segunda colocação na disputa, atrás apenas do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP).
Derrota de Janaina e Jessica
A derrota de Janaina Riva na disputa pelo Senado foi uma das surpresas da eleição em Mato Grosso. Na véspera, a pesquisa Quaest ainda a colocava em segundo lugar, mas o favoritismo não se confirmou nas urnas. O confronto com Zé Medeiros, com quem dividia a coligação, o desgaste com a troca de suplentes e os ataques durante a campanha ajudam a entender o resultado. A família sofreu uma segunda derrota: sua irmã, Jéssica Riva, também não foi eleita deputada estadual.
Bancada federal feminina
Mato Grosso terá três deputadas federais a partir do próximo ano. Coronel Fernanda (PL) e Professora Rosa Neide (PT) foram as duas candidatas mais votadas entre os eleitos para as oito cadeiras do estado na Câmara dos Deputados. Virginia Mendes (União) ficou na quinta posição em número de votos. Leia aqui. (Eh Fonte)
Erika Hilton (PSOL) foi reeleita deputada federal por São Paulo com 1,59 milhão de votos e se tornou a mulher mais votada da história da Câmara, superando o recorde de Joice Hasselmann em 2018. Destaque na defesa do fim da escala 6×1, Hilton obteve mais de seis vezes a votação de seu primeiro mandato, em 2022, e ficou em segundo lugar na disputa paulista.
Renovação baixa na ALMT
A Assembleia Legislativa (ALMT) terá 25% de renovação na próxima legislatura. Dos 24 deputados eleitos, 18 já exercem mandato na Casa, enquanto seis novos nomes conquistaram uma cadeira para o período que começa em 2027. Max Russi (Podemos) foi o deputado estadual mais votado de Mato Grosso, com 86.934 votos, seguido por Lúdio Cabral (PT), que recebeu 86.107 votos.
O Podemos terá a maior bancada, com seis deputados, seguido de PL e Republicanos, com quatro cada; MDB, com três; PT, União Brasil e PSDB, com dois cada; e PSD, com um. Veja os deputados estaduais eleitos. (Olhar direto/TSE)
Alta abstenção
Dos 2,63 milhões de eleitores aptos a votar em Mato Grosso, 2,04 milhões compareceram às urnas no primeiro turno, o equivalente a 77,79% do eleitorado. Ao todo, 585.274 eleitores não votaram, representando 22,21% de abstenção.
Flávio e Lula no 2º turno
Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) disputarão o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro, confirmou o TSE neste domingo (4). Com mais de 99% das urnas apuradas, o senador tinha 47,05% dos votos válidos, contra 45,14% do presidente. A vantagem de Flávio contraria a liderança numérica de Lula nas pesquisas da véspera e amplia o desafio do petista na disputa pela reeleição.
Lula disse que “o resultado muitas vezes é inesperado”, mas que o segundo é a “prova dos nove” das eleições. Já Flávio Bolsonaro afirmou estar “muito feliz” e que o “Brasil quer mudança”.
A eleição presidencial nunca teve uma virada no segundo turno desde a instituição do sistema, em 1989.
O PL foi o partido com maior número de governadores eleitos no primeiro turno, com cinco estados conquistados. A legenda também garantiu a maior bancada do Senado, ao eleger 19 senadores. Com os novos eleitos, o partido passa a ocupar 28 cadeiras na Casa, considerando também os parlamentares que já possui.
Mesmo com o avanço no Senado, a bancada do PL ainda vai depender de aliados para aprovar as principais pautas defendidas pelo bolsonarismo, como impeachment de ministros do Supremo (que exige dois terços dos votos da Casa: 54) e reformas que demandam emenda constitucional (que exigem três quintos: 49). (Correio Braziliense/G1)
Filas longas e crimes eleitorais
Mato Grosso registrou 87 ocorrências relacionadas ao funcionamento das urnas eletrônicas durante o primeiro turno das eleições. Deste total, 21 urnas precisaram ser substituídas, segundo o diretor-geral do TRE-MT, Mauro Sérgio Diogo. Uma eleitora quebrou uma urna na Escola Francisco Pedroso da Silva, no bairro São Francisco, em Cuiabá. Ao todo, 34 pessoas foram conduzidas, sendo a maioria pelo crime de boca de urna.
Apesar das longas filas em diversos locais de votação, a presidente do tribunal, desembargadora Serly Marcondes Alves, disse que o pleito ocorreu de forma tranquila e segura.
A Escola Elmaz Gattas, em Várzea Grande, ficou sem energia elétrica nos últimos minutos da votação. Mesmo com o apagão, os eleitores que estavam na fila receberam senha e puderam continuar votando. Segundo um eleitor, um dos transformadores da escola teria queimado.
Interrupções no fornecimento de energia também foram registradas em locais de votação de ao menos 10 municípios de Mato Grosso do Sul. Mesmo com as seções temporariamente sem iluminação, a votação prosseguiu normalmente, segundo o TRE-MS.
Quatro eleitores morreram após passarem mal em locais de votação durante o primeiro turno das eleições. Entre as vítimas estão um homem de 62 anos, no Rio de Janeiro (RJ); um idoso de 75 anos, em Manaus (AM); um homem de 68 anos, em Cupira (PE); e uma mulher, em Campo Grande (MS).
Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, votou em uma seção na Papuda, em Brasília. Ele mantém o direito ao voto porque não tem condenação criminal definitiva.
Já Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, não pôde votar: seus direitos políticos estão suspensos pela condenação definitiva na trama golpista. (TRE/G1/CNN/Jota/UOL)
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Economia
Poder de compra dos alimentos supera nível de 2022
O Brasil chega às eleições de 2026 com poder de compra de alimentos em patamar superior ao registrado às vésperas do primeiro turno de 2022. Segundo levantamento do economista Bruno Imaizumi, da 4intelligence, em agosto de 2026, um salário mínimo era suficiente para comprar o equivalente a 1,8 cesta básica em São Paulo, 11,3% a mais que no mesmo mês de 2022, quando o valor correspondia a 1,62 cesta. Apesar da melhora, o indicador ainda está abaixo do nível registrado no período pré-pandemia, quando correspondia ao equivalente a 2,07 cestas básicas. (Folha SP)
Pacote eleitoral pressiona Orçamento
As medidas anunciadas pelo governo Lula antes da eleição, como o reajuste do Bolsa Família e o fim das bets, deixaram ao menos R$ 30 bilhões em aberto no Orçamento de 2027. Segundo especialistas ouvidos pelo Globo, acomodar o impacto pode exigir cortes de despesas ou aumento de receitas, diante da alta da dívida pública e da falta de espaço no limite de gastos. (O Globo)
Agenda da semana
A semana começa com a repercussão dos resultados do primeiro turno das eleições de 2026. Na quarta-feira (7), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) retoma as sessões ordinárias, suspensas por falta de quórum durante a campanha eleitoral.
Segunda-feira – 05/10
Banco Central divulga o Relatório Focus.
Terça-feira – 06/10
Plenário do Senado discute a PEC que coloca fim à escala de trabalho 6×1.
Quarta-feira – 07/10
- ALMT retoma trabalhos com duas sessões ordinárias.
Banco Central divulga o Índice de Commodities – Brasil (IC-Br) de setembro de 2026.
Quinta-feira – 08/10
- ALMT promove audiência pública, às 9h, para apresentar o Relatório do 1º semestre de 2026 da AGER, em Cuiabá. Às 19h, debate a situação atual, os impactos e as melhorias necessárias na travessia urbana da BR-163, na Câmara de Nobres.
- Abertura da XIX Mostra de Dança de Mato Grosso, com apresentação de alunos e bailarinos examinados em setembro de 2026 pela metodologia da Royal Academy of Dance de Londres (RAD), às 19h30, no Cine Teatro de Cuiabá.
IBGE divulga a Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física – Regional de agosto de 2026.
Sexta-feira – 09/10
IBGE divulga o IPCA e o INPC de setembro de 2026.




