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Feminicídios crescem 12,7% em Mato Grosso em 2025

    Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Isabella Prado

Nunca tantas mulheres foram assassinadas quanto em 2025. Em Mato Grosso, o número de casos subiu de 47 em 2024 para 53 em 2025, o que representa um aumento de 12,77%. Com isso, a taxa no estado chegou a 1,36 caso por 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública

O mês mais crítico foi junho, quando foram registradas 10 vítimas de feminicídio, o dobro das cinco ocorrências contabilizadas no mesmo período do ano anterior.

Entre os municípios, Sinop liderou o ranking estadual, com seis casos em 2025, frente aos quatro registrados em 2024. Na sequência aparecem Cuiabá, Várzea Grande e Lucas do Rio Verde, com três casos cada. Já Cáceres, Guarantã do Norte, Nobres, Nova Mutum, Rondonópolis e Sorriso contabilizaram dois casos cada.

Questionado sobre os números, o presidente da Comissão Especial de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa (ALMT), deputado Gilberto Cattani (PL), pai de Raquel Cattani, assassinada em 2024, saiu em defesa do governo do estado ao ressaltar os investimentos realizados. “Não acho que o governo tenha sido omisso, porque houve investimentos, principalmente na área de segurança”, afirmou.

Ao mesmo tempo, Cattani fez críticas à eficácia das políticas públicas voltadas à proteção das mulheres. Segundo ele, um dos principais objetivos da comissão é compreender as razões do aumento dos casos de violência no estado e identificar por que as ações existentes não têm sido suficientes para conter esse avanço.  “Todas as políticas que estão sendo colocadas não têm dado certo, não estão funcionando. Nós temos que ver o porquê”, afirmou.

Criada no segundo semestre do ano passado, a comissão surgiu após o governo estadual articular para barrar a instalação de uma CPI do Feminicídio na Assembleia Legislativa. A proposta, liderada pelas deputadas Edna Sampaio (PT), Janaina Riva (MDB) e Sheila Klener (PSDB), não avançou em meio a negociações políticas e divergências internas.

Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rafael Alcadipani, há uma carência de políticas públicas para enfrentar o problema. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ele afirmou: “vemos pouquíssimas ações tanto do governo federal quanto dos governos estaduais. Parece que há um apagão no que diz respeito ao tema da violência contra a mulher.”

Brasil

No cenário nacional, 2025 registrou 1.470 casos de feminicídio, o que equivale a uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. O total representa um aumento de 0,41% em relação às 1.464 vítimas registradas em 2024. A taxa nacional ficou em 0,69 morte por 100 mil habitantes.

São Paulo liderou o ranking, com 233 ocorrências, seguido por Minas Gerais (139), Rio de Janeiro (104) e Bahia (103). Mato Grosso aparece na 10ª posição no ranking nacional. Ao todo, 15 estados apresentaram crescimento nos casos de feminicídio em 2025, na comparação com o ano anterior.

Fonte: Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública)

(Colaborou Adriana Mendes)

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