

MT registra três assassinatos de pessoas trans em 2025; cacica indígena trans desafia a violência
Por Isabella Prado
Primeira cacica trans do Brasil, Majur Traytowu, da Aldeia Apido Paru, na Terra Indígena Tadarimana, em Rondonópolis, tornou-se um símbolo de resistência dos povos indígenas. Sua trajetória ganha ainda mais força diante do cenário de violência extrema enfrentado pela população trans no país.
Dados do Dossiê 2026 da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) apontam que o Brasil segue liderando o ranking mundial de assassinatos de pessoas trans. Em 2025, foram registrados 80 assassinatos, sendo 77 de travestis e mulheres trans e três de homens trans e pessoas transmasculinas, o que representa uma redução de 34% em relação ao ano anterior.
Em Mato Grosso, foram contabilizados três assassinatos de pessoas trans em 2025, colocando o estado na 12ª posição do ranking nacional. O número é inferior ao registrado em 2024, quando houve oito casos.
Para a Antra, no entanto, essa queda não reflete avanços estruturais nem maior proteção ao direito à vida. Os dados evidenciam, na prática, a consolidação de novos mecanismos de invisibilização da violência, acompanhados da manutenção deliberada da não produção de informações e da subnotificação estatística.
O dossiê também revela a vulnerabilidade específica de pessoas indígenas trans e travestis. Entre os 57 casos em que foi possível identificar a cor ou raça das vítimas em 2025, dois envolvem indígenas trans assassinadas. Além das agressões diretas e dos assassinatos, a rejeição familiar e comunitária frequentemente resulta na expulsão dessas pessoas de seus territórios. Sem acolhimento nas aldeias, muitas são forçadas a migrar para centros urbanos, onde enfrentam uma realidade marcada pela extrema vulnerabilidade.
Ainda assim, há trajetórias como a de Majur. Liderança do povo Boe Bororo, ela assumiu a chefia da aldeia após substituir o pai e encontrou respeito e acolhimento dentro do território indígena, realidade distinta da vivida fora dele. “Só sinto medo quando saio da aldeia. Quando vou fazer compras ou participar de algum evento fora, percebo olhares diferentes, de ódio mesmo. É assustador”, relata.
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