Debate de “telhados de vidro” dos candidatos ao governo de MT

Foto: Divulgação
Por Adriana Mendes
Os candidatos ao governo de Mato Grosso mais uma vez deixaram as propostas em segundo plano no debate realizado nesta terça-feira (1º) pela TV Vila Real, do Grupo Gazeta, e concentraram-se em ataques pessoais e acusações contra os adversários. Os embates, por outro lado, também lançam luz sobre a trajetória e as fragilidades políticas de cada um.
Os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas eleitorais, o senador Wellington Fagundes (PL) e o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), protagonizaram os momentos de maior tensão.Wellington questionou declarações de Pivetta sobre os trabalhadores do Samu e sobre a suposta “falta de talento dos servidores públicos”. Também cobrou o governador em relação ao pagamento da Revisão Geral Anual (RGA).
Pivetta rebateu dizendo que Wellington agia “de maldade” e acusou o senador de ser “especialista” em disputar eleições. Wellington, por sua vez, desafiou o governador a quebrar o sigilo bancário e mencionou o caso Cooperlucas, escândalo envolvendo fraudes na Cooperativa Agropecuária de Lucas do Rio Verde e o desvio de mais de R$ 200 milhões em recursos da Conab e do Banco do Brasil. Pivetta esteve entre os acusados, mas o processo foi extinto em razão da prescrição.
Em outros momentos, os candidatos fizeram referências a casos de violência contra a mulher, com indiretas dirigidas a Pivetta. O governador já foi denunciado sob a acusação de agredir a ex-mulher, mas sempre negou o episódio. “Nunca cometi violência contra mulher”, declarou durante o debate.
Rafaell Milas (Missão) também teve um embate com Natasha Slhessarenko (PSD). Ele questionou as alianças da candidata com o ex-deputado Gilmar Fabris (PSD), citado em escândalos envolvendo a Assembleia Legislativa de Mato Grosso, e com o ex-prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (PSD), filmado colocando maços de dinheiro no paletó. Milas também propôs a criação do chamado “Inferno Pantaneiro”, unidade destinada a ampliar o isolamento de lideranças criminosas.
No intervalo, houve confusão, bate-boca e troca de acusações. Maurício Coelho (Mobiliza) afirmou ter sido intimidado pelo marido de Natasha. A equipe da candidata contestou a acusação e disse que Coelho havia declarado, antes do programa, que iria “trucidar” a médica no debate.
O candidato Sargento Laudicério (Agir) chegou ao debate acompanhado da mãe, Cidinha, de 75 anos, que perdeu a visão após sofrer um descolamento de retina. Ao ser questionado sobre corrupção e os problemas da Saúde, ele apontou para a mãe, que acompanhava o programa.
“Ela está lá ouvindo. Não acham que ela gostaria de estar aqui para me assistir?”, perguntou. Em seguida, permaneceu em silêncio por alguns segundos, provocando constrangimento entre os adversários. “Covardes, os senhores. Os senhores são todos covardes”, declarou
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