Debates repetem ataques, mas ampliam pressão sobre Wellington
Por Adriana Mendes
Os dois últimos debates entre os candidatos ao governo de Mato Grosso mostraram uma campanha concentrada em desgastar os adversários. Incentivos fiscais, denúncias de violência doméstica, consignados e antigas alianças marcaram os embates da TV Centro América, na terça-feira (29), e da TV Vila Real, nesta quinta-feira (1º). A principal mudança foi na distribuição dos ataques. O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) foi mais cobrado, mas o adversário Wellington Fagundes (PL) também teve pressão maior no último confronto.
Na TV Centro América, com apenas Pivetta, Wellington e a médica Natasha Slhessarenko (PSD), predominou a convergência dos dois adversários nas críticas ao governador. Perguntas sobre saúde, segurança, habitação e servidores frequentemente desembocaram em acusações contra a gestão. Pivetta classificou essa atuação como um “consórcio”, numa tentativa de apresentar os rivais como uma frente unida contra ele. A convergência nos ataques, porém, não significa uma aliança: Natasha também lembrou que Wellington e Pivetta pediam votos um para o outro em 2022.
Na TV Vila Real, do Grupo Gazeta, a presença de Rafaell Milas (Missão), Maurício Coelho (Mobiliza) e Sargento Laudicério (Agir) alterou essa dinâmica. Milas confrontou Wellington sobre supostos benefícios fiscais a empresas da família e sobre seus aliados, cobrando a promessa de renúncia. O senador, que negou ter recebido os incentivos questionados, precisou dividir seu tempo entre atacar o governo e defender a própria trajetória. Coelho ampliou as cobranças a Pivetta sobre consignados e custos da gestão, enquanto Laudicério abordou as contradições das alianças políticas e a Revisão Geral Anual (RGA) – mecanismo para recomposição salarial dos servidores públicos.
Natasha manteve como eixo a denúncia de violência doméstica envolvendo Pivetta e a ex-mulher e a suspensão judicial de seu programa eleitoral. A candidata afirmou ter sido “silenciada” e “censurada” após a campanha dele recorrer à Justiça para impedir a veiculação das peças. Já Pivetta chegou a dizer que “não sabia” que o programa estava suspenso e endureceu o confronto ao chamá-la de “mentirosa” e invocar as decisões da Justiça.
O governador também repetiu sua estratégia de valorizar obras, indicadores e experiência administrativa. Ao se apresentar como homem do “fazimento”, procurou deslocar a discussão para as entregas da gestão. Os adversários contestaram justamente essa imagem, citando filas na saúde, o funcionamento do Hospital Central e obras como o BRT em Cuiabá e Várzea Grande e a obra parada do Portão do Inferno, na estrada de Chapada dos Guimarães.
Na TV Centro América, Pivetta se mostrou nervoso e travado, fugindo de perguntas que o deixavam contra parede. Na TV Vila Real melhorou sua postura. Sobre o suposto caso de agressão à ex-mulher, o governador declarou que é um assunto que causa constrangimento “mexe muito” com ele, defendendo que não fosse abordado na campanha. Também afirmou ter abandonado a “colinha” usada nos debates anteriores por não considera-lá útil.
O debate ampliou o número de vozes e os alvos das acusações, sem mudar substancialmente a pauta da reta final. Aos eleitores, ficaram mais expostas as contradições políticas dos candidatos, enquanto os ataques dividiram espaço com a apresentação de propostas e estratégias para resolver os problemas apontados.
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