Entrevista do diretor-geral do GPA sobre participação no Conselho de Meio Ambiente

“Não conheço nenhum deles”
Por Adriana Mendes e Josana Salles
Em entrevista ao Eh Fonte, Adilson Ribeiro, diretor-geral do GPA , afirma que não indicou representantes no Consema e que a ONG não realiza atividades ligadas ao meio ambiente desde 2014. Na conversa, ele relatou que a instituição está sem atividades na área ambiental desde 2014 e afirmou que não conhece os representantes da entidade no colegiado. Entre eles, está o pecuarista e atual secretário adjunto de Agricultura e Turismo de Cuiabá (MT), Vicente Falcão, a quem nega ter autorizado.
Confira, a seguir, os principais trechos da entrevista.
O GPA participou da eleição do Consema?
Designamos alguém para representar lá no Consema porque como a instituição é de um lugar do interior, ficaria difícil porque quase toda semana eles têm reuniões. Ficaria difícil para um membro daqui, sair daqui da cidade, a 450 km ir até a capital para fazer essas reuniões lá no Consema. Aí a gente colocou uma pessoa, mas essa pessoa só teria validade (pela procuração) até outubro de 2025.
E quem é essa pessoa?
Eu não conheço, eu não conheço. Não sei nem quem é.
Mas como que o senhor não sabe quem é? Mas quem foi a ponte?
O primeiro é um rapaz, que ia representar. Tem procuração no nome dele. Na época, ele morava em Cuiabá ou Cáceres. Esse caso que eu estou questionando é de outubro para cá porque a instituição, ela não tem mais validade. Então, qualquer coisa que tenha em nome da instituição, perdeu a validade, porque ela teve validade até outubro do ano passado. A cada três anos, você tem que fazer nova diretoria, fazer novo conselho…
A instituição será fechada?
Eu quero fazer o cancelamento dela definitivamente, do CNPJ dela. Porque eu não vou dar continuidade nesse trabalho, não vou dar continuidade nesse projeto. Eu não consigo fazer mais, eu não tenho mais paciência para mexer com isso. E quem sempre estava à frente da instituição era eu, desde 2006. Mas aí chegou um momento que você cansa também. É serviço voluntário. Você tira dinheiro do bolso para pagar viagem, pagar gasolina, então eu não vou mais fazer isso.
Quando ofereceram parceria, como foi combinado?
Nós tínhamos uma parceria na época com uma ONG de Cáceres. Ele fez a parceira e disse “se você tiver algum projeto aí, a gente tenta ajudar”. Mas depois também não mexi mais. Atuei muito na instituição em 2011 e 2012, se não me engano.
E a pessoa que atua no Consema, era por conta própria?
Ele foi autorizado para representar lá. Eu não saberia dizer para você de que forma ele atuava dentro do conselho, porque eu não estava lá em Cuiabá. Eu não moro em Cuiabá.
São três pessoas que estão representando o GPA. O senhor conhece Vicente Falcão?
Não conheço nenhum deles. O outro nome tinha reconhecimento, foi autorizado pela instituição, sim, pelo GPA. Nós temos a ata e a procuração no nome dessa pessoa. Mas esse que está agora, esse tal de Falcão aí, não tem autorização nossa para representar o GPA. Eu não lembro dos nomes, preciso dar uma olhada na documentação.
O outro nome é Paolo Monte Cruz Rodrigues. O senhor conhece?
Esse nome foi autorizado, agora o Falcão não. A procuração do Paolo venceu. Eles fizeram, não sei que jeito que eles fizeram uma outra procuração lá, como que eles fizeram essa procuração que colocaram esse outro representante aí que não tem nada a ver, que nunca nem me falaram. É uma coisa que cabe processo para o Estado. A Sema … não sei de que jeito eles fizeram isso. Estou até pensando em ir em Cuiabá para ver quais serão os procedimentos.
Desde quando o GPA parou as atividades ambientalistas?
A gente teve atividades em 2011 e 2012 . Depois ficou seis a sete anos sem ter nada. Aí fiquei com restrição no meu CPF. Daí que reformulei uma nova ata, que é essa última ata que venceu em outubro de 2025.
Mas quem procurou o senhor para participar do Consema?
Então, tem essa ONG de Cáceres, que é o Mauro Donizete que fez a parceria para representação da ONG daqui de Pontes de Lacerda lá no Conselho de Meio Ambiente até 2025.
Ele arcou com as despesas?
Essa parte do documento ele arcou com tudo. Eu não paguei nada. A instituição não tinha nem um centavo na época e nem tem também. É uma instituição sem fins lucrativos. Há muito tempo tivemos uma conta bancária. Essa parte de documentação ele que arcou com tudo, ele que se responsabilizou por isso aí, porque tinha que pagar procuração, pagar envio de documento, essas coisas, foi tudo ele que fez.
O GPA não teria condições de pagar um advogado no Consema?
Hoje não, nem um centavo. A gente não tem nem conta. A gente não tem nada. Só tem o nome da instituição, o CNPJ e está regularizado no Ministério do Meio Ambiente. Tá tudo certinho….
O senhor entregou a instituição na mão de uma outra pessoa e não acompanhou?
Foi para um nome, não para esse homem agora. Eu não fiz ata nenhuma, não fiz procuração nenhuma para esse nome de Falcão aí, então eu não reconheço isso. O outro, o anterior, sim. Mas ele não tinha plenos poderes também não, na procuração estava dizendo ali o que que era para ele fazer. Não sei se fizeram uma outra ata e colocaram por conta própria.
O senhor se sente de certa forma enganado?
Sim, porque na época que eu fui fazer a procuração, foi até eu que fui no cartório fazer essa procuração. Eu falei assim: “vai colocar de data tal a tal” Coloquei uma data de validade que servia a procuração. Então, após aquela data, a procuração não tem mais validade. Inclusive, eu tenho que consultar um advogado para ver como vai resolver isso aí.
Outro lado
Procurado, Mauro Donizete, do Iescbap, confirmou que o GPA faz parte do grupo de ONGs “parceiras”. No entanto, negou ter arcado com despesas de documentação da entidade para participar do Consema e garantiu que o trabalho é voluntário. “Quem indicou (os nomes) foi o procurador do GPA, que o presidente da entidade nomeou para participar da eleição.” Donizete afirmou ainda que o uso de procuradores é prática comum entre entidades do interior. “Outras ONGs fazem isso, usa uma pessoa idônea que é do grupo de trabalho e passa uma procuração”, afirmou.
Questionado sobre a declaração de Ribeiro, que nega tê-lo autorizado como representante da entidade, Vicente Falcão reagiu com surpresa e contrapôs a versão apresentada: “Ele assina minha nomeação e não tem conhecimento? Estranho, mas tá bom, eu vou ligar para ele, vou perguntar.”
Falcão errou a localização da entidade que representa, afirmando que o GPA seria de Vila Bela da Santíssima Trindade quando, na verdade, a organização é sediada em Pontes de Lacerda.
LEIA : Entidades ligadas ao agro ocupam espaço de ambientalistas no Consema-MT

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