COLUNA

Adriana Mendes

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Informações de política, judiciário e meio ambiente.

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Os patrocinadores do MPMT

O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) abriu investigação sobre um caso que expõe uma zona cinzenta na relação entre o MP de Mato Grosso e o setor privado. Em dois anos, 34 empresas e entidades transferiram R$ 2,7 milhões para o projeto institucional “Diálogos com a sociedade”. Entre os patrocinadores, estão  várias empresas investigadas pelo MP.

O caso foi levado ao CNMP pelo procurador de Justiça José Antônio Borges Pereira, ex-chefe da instituição. Mas há um detalhe que vai além do que já foi noticiado: segundo apurou a coluna, o próprio procurador-geral de Justiça, Rodrigo Fonseca, teria participado pessoalmente de reuniões para captação de patrocínios. Procurado, ele não respondeu.

O conselho nacional negou inicialmente uma liminar para suspender de imediato o projeto, mas o processo ainda será analisado pelo pleno.

Para 2026, de acordo com a decisão do conselheiro Clementino Rodrigues, o projeto “Diálogos com a Sociedade” não terá mais a participação da Associação do Ministério Público e a transferência direta de recursos será operada agora sob regime de “parcerias institucionais”.

Neste ano, a nova temporada começou em março com o espaço “MP por elas”, que está sendo desenvolvido até agora em cooperação com a Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), segundo informou a instituição. O termo de parceria foi assinado no início de março. A federação vai realizar oficinas e contratou a modelo Luiza Brunet para uma palestra. A divulgação no site do próprio MP cita o nome de várias empresas.

No ano passado, o projeto realizou entrevistas com promotores e procuradores dentro de uma estrutura de vidro, uma “bolha” instalada em um shopping de Cuiabá. A construção custou R$ 268 mil, paga sem licitação a uma empresa privada. A transmissão foi feita pela rádio CBN Cuiabá, que informou que foi uma apoiadora e “não houve remuneração ou contrapartida financeira. “Quem bancou a produção foi a iniciativa privada, por meio da Associação Mato-Grossense do Ministério Público (AMMP)”.

Os números cresceram de forma acelerada. Em 2024, foram arrecadados R$ 803 mil. Em 2025, o valor saltou para R$ 1,8 milhão, mais que o dobro, enquanto o questionamento ético sobre o projeto também crescia.

Na lista aparecem muitos grupos privados e entidades ligadas ao agronegócio, mas o conflito de interesse não se restringe a esse setor. Há concessionárias de serviços públicos regulados, pedágio, energia elétrica, água e esgoto que também aparecem como patrocinadores.

A maior doadora, a Aprosoja, transferiu R$ 630 mil ao longo dos dois anos. A entidade tem 38 registros de processos  no Portal da Transparência. Na denúncia ao CNMP, Borges Pereira relata que, quando chefiava a instituição, foi procurado pela entidade para pedir o afastamento da promotora Ana Luiza Peterlini de Souza que investigava supostas irregularidades ambientais da associação. Os patrocínios ocorreram em gestões posteriores.

A AMMP e a Procuradoria negam qualquer conflito de interesse. O presidente da associação, Milton Mattos da Silveira Neto, afirma que o projeto leva temas como violência doméstica e abuso sexual ao conhecimento da população. A Procuradoria diz que a independência funcional do órgão está preservada.

Pode até ser. Mas a questão levantada por Borges Pereira precisa ser respondida.

“É moral a associação de promotores e procuradores disponibilizar sua conta-corrente para receber valores expressivos de empresas que frequentemente são acionadas extrajudicialmente ou judicialmente pelo MP por violação às leis?”

O Ministério Público e a maior parte das empresas e entidades que patrocinaram o projeto “Diálogos com a Sociedade” rejeitam a tese de conflito de interesse. A coluna procurou todas as empresas e instituições citadas .

O que dizem empresas e entidades para os patrocínios ao MPMT

A lista completa dos patrocinadores identificados, com os valores por ano, é a seguinte:

 

 

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