

Os riscos da IA e redes sociais nas eleições
As eleições gerais ocorrem em outubro deste 2026, no entanto, a pré-campanha de candidatos já vem se desenvolvendo desde o ano passado. Esse ‘barulho’ eleitoral de antes promete escalar fortemente agora em fevereiro, pós-carnaval, por meio de uma miscelânea de diferentes coisas, mas todas com um único foco – atrair o eleitor e seu voto.
No 1º turno do pleito deste ano, em 4 de outubro, o eleitorado fará escolhas nas urnas para deputado federal, deputado estadual, senador (duas vagas), governador e vice-governador de e presidente e vice-presidente da República. Em Mato Grosso, até o momento, são 2.553.640 eleitores aptos a votar nas eleições.
Portanto, no geral, a disputa por vagas nesses seis importantes cargos, fomenta, naturalmente, entre os concorrentes, manifestações precoces nesta fase atual de pré-campanha, em especial nas plataformas digitais. Sugere também que o cidadão receba, nos próximos meses, uma avalanche de informações de campanha, principalmente na internet.
Nos dias atuais, carros adesivados com nomes de pré-candidatos de 2026 – prática comum da propaganda eleitoral – já trafegam nas ruas. Enquanto que nas plataformas digitais se nota um inédito aumento de postulantes aos cargos eletivos apresentando suas qualificações e pontos de vista sobre questões pontuais, entre outras formas de se mostrar.
Nessas postagens adiantadas, principalmente de redes sociais – Facebook, Instagram, TikTok e Linkedin – os pré-candidatos não pedem votos, visto que a propaganda de campanha de 2026 começa oficialmente em agosto, mas relacionam a pretensão eleitoral. Também nos aplicativos de mensagens (WhatsApp) sinalizam conteúdo eleitoral, ainda que não explícito.
Desse modo, apenas com uma rede social ou ainda só um aplicativo de mensagens, o cenário de probabilidades para o cidadão é o de que ele brevemente seja ‘cercado’ pelo assunto eleições. E é justamente nesse contexto que se desenha, no ambiente digital, a necessidade de o eleitorado ficar alerta quanto ao uso da IA (inteligência artificial) como instrumento de propagação de desinformação.
Como é sabido, ‘as redes sociais conectam pessoas, empresas e organizações, permitindo a interação e o compartilhamento de textos, fotos, vídeos, entre outros conteúdos’. Em relação à propaganda eleitoral, já em 2024, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou normas para o uso de IA na publicidade política, incluindo a proibição do chamado “deep fake”.
Esse conteúdo é fabricado em formato de áudio, vídeo ou combinação de ambos, sendo gerado ou manipulado digitalmente para criar, substituir ou alterar imagem ou voz de pessoa viva, falecida ou fictícia. Não à toa, agora em 2026, uma das preocupações do pleito é o incremento do uso das ferramentas de IA e das redes sociais para a disseminação de fake news.
Nesse sentido, são aguardadas para este mês as resoluções do TSE que vão reger as eleições gerais de 2026. Em entrevista à CNN Brasil, o professor de Direito Eleitoral e Direito Digital Alexandre Basílio explicou que o uso de conteúdo sintético produzido pela IA é permitido, desde que “haja informação clara, visível e acessível ao eleitor de que aquele material foi fabricado e manipulado com auxílio de inteligência artificial”.
Já em relação aos “deep fakes”, esses são expressamente proibidos. Entre os especialistas, há um entendimento de que grande parte das infrações não deve partir das campanhas oficiais, mas de apoiadores, influenciadores e perfis informais. O professor Basílio prevê um cenário dominado por memes e conteúdos altamente compartilháveis, “que podem rapidamente alcançar milhões de pessoas”. Segundo pontuou, “a repetição de conteúdos ofensivos, mesmo após remoções, deve criar uma corrida de gato e rato entre plataformas e justiça eleitoral”.
Diante daquilo que ainda vai acontecer, a partir deste fevereiro até outubro, quando se realizarão as eleições gerais, é preciso muita paciência e leitura lúcida da realidade por parte daqueles que constituem a parcela mais importante do processo, que são os votantes.
Na linha de cada um de nós (eleitores) na sua praia, sem conflitos, fofocas e interferências seja de humanos ou de IA, mesmo cansados e desconfiados, devemos ficar atentos à verificação da fonte da informação e à detecção de vídeos sintéticos; duvidar de imagens ‘surreais’ e dos perfis falsos, além de evitar imediatismo para espalhar conteúdos, entre outras ‘armadilhas’.
Importante também é a dica do colega Roney Domingos, repórter do Fato ou Fake do g1, no episódio “Inteligência artificial e o colapso do que parece real” do podcast O Assunto.
“Tenha cuidado com as emoções. Coisas que inspiram medo, ódio e que buscam atingir a imagem ou a reputação de alguém precisam ser vistas com cautela antes de serem compartilhadas, antes de se acreditar naquilo”.
Para um voto consciente, informe-se o tempo todo por meio de fontes confiáveis, profissionais e qualificadas.
Agindo assim, cada cidadão estará exercendo, de forma plena, o direito de escolher seus representantes, sem manipulação ou cabresto.
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