COLUNA

Adriana Mendes

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Posse de novo desembargador no TJMT em meio à turbulência

Fotos: Josi Dias/TJMT

O plenário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso ficou lotado durante a posse do novo desembargador Ricardo Almeida, que passa a ocupar uma das vagas da advocacia pelo Quinto Constitucional. Advogados compareceram em peso para prestigiar o colega. Dos 37 desembargadores da ativa, sem contar dois afastados por suspeita de venda de sentenças , 10 não participaram, o equivalente a 27% da Corte. Segundo a assessoria, a sessão foi híbrida, o que explicaria o plenário incompleto.

O governador Mauro Mendes também não esteve presente, por estar em Belém (PA) para a COP30. Ele vinha sendo cobrado a indicar uma mulher ao TJ, já que os últimos cinco escolhidos foram homens, o que não ocorreu. Próximo ao governador, Ricardo Almeida negou que a relação pessoal tenha influenciado sua escolha, embora nos bastidores a definição fosse dada como certa.

Em seu discurso, a presidente da OAB-MT, Gisela Cardoso, destacou que a lista da Ordem respeitou a paridade de gênero, numa indireta que não passou despercebida. Ainda neste ano, o tribunal terá duas novas vagas: uma por lista exclusiva de mulheres, por exigência de paridade, e outra por antiguidade. Entre magistrados, há quem apelide a ala feminina do plenário de “Faixa de Gaza”, reflexo das divisões internas.

A cerimônia também teve percalços. Durante a fala do conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ulisses Rabaneda, o som apresentou falhas, com estrondos e microfones mudos. Mesmo assim, ele prosseguiu: “Sou advogado da essência, que não tem a palavra cassada nem pela tecnologia”, disse, arrancando aplausos. Pouco depois, um novo estrondo interrompeu o discurso do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Max Russi (PSB), que brincou: Rabaneda seria “da ala de oposição da OAB” e o som teria falhado bem na hora da crítica. A piada provocou risos, mas o vídeo oficial no YouTube foi editado para retirar as falhas. Afinal, a exposição não pega bem.

O cerimonial ainda esqueceu de chamar o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) para discursar, convidando antes o desembargador José Zuquim Nogueira. O presidente percebeu a falha e corrigiu o protocolo. Pivetta, pré-candidato ao governo em 2026, deixou o local pela porta dos fundos, sem falar com a imprensa.

Ao avaliar o último ano, Zuquim disse à coluna que o tribunal vive uma fase mais tranquila. “Todo começo é difícil em razão da tentativa de acerto, e você só acerta errando. Passamos do momento dos erros e entramos no momento dos acertos. O tribunal hoje vive bons momentos de tranquilidade. O que nos resta é apresentar um bom trabalho à sociedade.”

Tranquilidade só no discurso. O TJMT confronta com o Executivo o reajuste de 6,8% dos servidores, ainda tenta se desvencilhar das sombras deixadas pela investigação de venda de sentenças, o vale-peru e o desvio de recursos internos que expôs fragilidades da Corte.

 

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