COLUNA

Sônia Zaramella

soniaz@ehfonte.com.br

Relatos e fatos, pessoais ou não, do passado e do presente de Cuiabá e de Mato Grosso.

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São Luís e o livro que me levou até lá

Quando recebi o convite para ir à São Luís, no Maranhão, imediatamente à minha memória vieram o ex-presidente Sarney, o ministro Flávio Dino, o escritor Josué Montello, a cantora Alcione, o carnavalesco Joãosinho Trinta e o músico João do Vale, celebrado por ‘Carcará’. Eles são alguns dos renomados maranhenses da capital e do interior daquele estado nordestino.

Além das pessoas, havia o reggae a me motivar, visto que São Luís é a “Jamaica Brasileira” por causa da presença e popularidade do gênero musical na cidade. Ou seja, muita história, personalidades importantes e cultura reunida me aguardavam na capital do Maranhão, situada numa ilha, fundada em 1612, e disputada por franceses, holandeses e portugueses, segundo a história.

Começando pelas pessoas, cito o ex-presidente Sarney, prestes a fazer 96 anos em abril, que se destacou pela transição que fez da ditadura militar para a democracia no Brasil. Ele reside em São Luís e, em 2025, se engajou nas redes sociais e criou uma conta no Instagram em que compartilha sua rotina de saúde, a vida pessoal e a leitura. É membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) desde 1980.

Também nascido em abril, Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal, vai completar 58 anos. Governou o Maranhão por dois mandatos, foi senador e ministro da Justiça e Segurança Pública. É conhecido por sua atuação jurídica e posições progressistas. Em São Luís, percebi que a menção ao seu nome gera mais comentários positivos que reprovações.

Por Josué Montello, falecido em 2006, tenho um carinho especial. Na juventude, li ‘Os Degraus do Paraíso’, uma obra do escritor que trata da fé e seus conflitos e que tem São Luís como cenário. Como jornalista, tive a oportunidade de demonstrar, pessoalmente, minha admiração à sua literatura, em Brasília, num encontro de escritores que cobri décadas atrás.

Agora, em São Luís, relembrei, no histórico Largo dos Amores, o poeta maranhense Gonçalves Dias, imortalizado por ‘Canção do Exílio’ (1843). Nas falas dos moradores são mencionados ainda Arthur Azevedo, popular por suas peças teatrais, entre elas, A Capital Federal (1859); Aluísio Azevedo, escritor de O Cortiço (1890); Sousândrade, poeta autor de O Guesa (1884); e Humberto de Campos, escritor de Memórias (1933).

No campo da música e das manifestações culturais populares estão os maranhenses Alcione, João do Vale e Joãosinho Trinta. A ‘Marrom’, como é conhecida Alcione Dias Nazareth, é uma das maiores sambistas e cantoras brasileiras na ativa, com mais de 50 anos de carreira. Em São Luís, me disseram que Alcione comparece à terra natal em datas festivas.

O músico, cantor e compositor João do Vale é conhecido como ‘poeta do povo’. Faleceu em 1996. Destacou-se na Música Popular Brasileira (MPB) com “Carcará”, interpretada por Bethânia. Sua obra integrou o show Opinião (1964) e celebrou a cultura nordestina. No Centro Histórico de São Luís está localizado o Teatro João do Vale, um tributo do Maranhão ao artista.

Recordando Joãosinho Trinta, carnavalesco de vanguarda, ele faleceu em 2011 e acumulou títulos no carnaval carioca. Entre nós, mato-grossenses, Joãosinho é festejado pelo enredo Tereza de Benguela – Uma Rainha Negra no Pantanal (1994), da Viradouro, sobre a rainha africana escravizada em Vila Bela da Santíssima Trindade, líder do quilombo Quariterê, no século XVIII.

Quanto ao reggae, esse ritmo que, nos anos 1970, chegou ao Maranhão via ondas de rádio caribenhas, ecoa por toda São Luís. Inicialmente, enfrentou preconceito, mas foi abraçado pela juventude negra e periférica, tornando-se Patrimônio Imaterial. Na Rua do Giz, cartão-postal da cidade, por sua escadaria com degraus de pedra e casarões, além dos lindos azulejos, conheci a casa do reggae ‘Habeas Corpus’.

Desse jeito, essa cidade cheia de história, significados e riqueza cultural me recebeu e se tornou, no último dia 13 de março, palco do lançamento do livro “Integração, Diálogo e Eficiência”, que escrevi para celebrar os 25 anos do Colégio de Corregedoras e Corregedores Regionais Eleitorais do Brasil (CCORELB), produzido em parceria com o Senac, a Fecomércio e o Sesc.

É uma obra institucional, de memória, realizada por iniciativa da presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves, que recebeu essa demanda histórica do Colégio. Teve a colaboração da colega Camila Bini e edição de Maria Teresa Carracedo, da Entrelinhas. O evento, dentro da programação do 58º Encontro do Colégio, foi no Convento das Mercês, construído em 1654 e tombado como Patrimônio Histórico Nacional.

Voltei para Cuiabá sensibilizada com a capital e a gente maranhense, principalmente pela forma como valorizam a cultura local e suas personalidades.

O triste foi constatar que, por aqui, acontece o contrário. “Escoras sustentam séculos de história no centro de Cuiabá”, noticiou o jornal A Gazeta, no início desta semana. É de cortar o coração!

 

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