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O risco no asfalto: MT e os gargalos logísticos

Foto: Reprodução/Painel Infra SA

Mato Grosso consolidou sua posição como o maior produtor nacional de soja, milho e algodão, liderando as exportações brasileiras desses grãos e de carne bovina em 2024. No entanto, a infraestrutura de transporte, que limita a competitividade, se revela um fator de risco, com quase um terço de suas principais estradas em condições precárias. O Panorama Logístico do Centro-Oeste, divulgado nesta segunda-feira (29) em Cuiabá pela Infra S.A. e o Ministério dos Transportes, aponta os gargalos e perspectivas.

De acordo com o estudo, os principais corredores logísticos mato-grossenses seguem apoiados em rodovias como a BR-163, que conecta o estado tanto aos portos do Pará, no Norte, quanto ao Porto de Santos, no Sudeste. Já a BR-364 liga Cuiabá a Rondônia e Acre, e se conecta a São Paulo por meio de rodovias integradas. Apesar da relevância estratégica, 31% da malha rodoviária do estado foi classificada como ruim ou péssima pela CNT em 2024.

A ferrovia Rumo Malha Norte (RMN), que liga Rondonópolis (MT) à Malha Paulista, com acesso ao Porto de Santos, é destaque entre os modais ferroviários, sendo responsável pelo maior volume de transporte de soja e milho no ano passado. O relatório aponta, porém, que a velocidade média comercial das ferrovias ainda é baixa no Brasil,  cerca de 22 km/h na RMN, contra até 40 km/h nos Estados Unidos

O documento também destaca projetos estratégicos em discussão, como a Ferrogrão e a ferrovia estadual de Mato Grosso, que podem reduzir custos e aumentar a eficiência logística. Rotas bioceânicas, ligando a produção do estado aos portos do Pacífico, também são vistas como alternativas de integração internacional.

A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres é apontada como um dos pontos estratégicos ligados ao escoamento da produção do estado, principalmente por sua proximidade com a Bolívia e o potencial de integração com rotas bioceânicas.

Para o setor produtivo, os dados reforçam a urgência de investimentos em infraestrutura. Sem avanços nas rodovias e ferrovias, alerta o estudo, o escoamento das safras seguirá comprometido, com impacto direto sobre a competitividade do agronegócio mato-grossense nos mercados globais.

O painel analisa a situação logística de todos os estados do Centro-Oeste, mas Mato Grosso se destaca tanto pela liderança no agronegócio quanto pelos gargalos estruturais que limitam sua competitividade.

Foto: Reprodução/Painel Infra SA

 

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