Por quem sobem os preços?
Jairo Pitolé Sant’Ana*

Foto: (Vibra/Divulgação)
A recente especulação com o óleo diesel (combustível predominantemente utilizado no país para o transporte de grandes e pequenas cargas de frutas, legumes e verduras), especialmente em Mato Grosso ou em São Paulo onde o preço do litro chegou a R$ 9,99 na bomba, não tem só a ver com a guerra envolvendo Israel, EUA e Irã. Até porque o Brasil importa menos de um terço do consumo interno, embora não precisasse, por ser autossuficiente na produção de petróleo bruto, e, segundo os noticiários, a Petrobras, responsável pela maior parte do abastecimento no país, não fez nenhum reajuste.
Tem muito mais a ver com uma declaração, feita num domingo antes de sua publicação no site de O Globo em 18.03.2019, pelo então presidente Jair Bolsonaro durante um jantar com lideranças conservadoras em Washington, capital dos EUA. “ (…). O Brasil não é um terreno aberto onde nós pretendemos construir coisas para o nosso povo. Nós temos é que desconstruir muita coisa. Desfazer de muita coisa. Para depois começarmos a fazer. (…)”
Creio ser melhor, neste caso, interpretar “nosso povo” mais como “nossa turma”, tendo como parâmetro o tratamento por ele dispensado ao povo real, isto é, ao conjunto de pessoas cidadãs, componentes do elemento humano do Estado. Exemplos são inúmeros, a começar no período da pandemia do coronavírus, cujo anúncio pela Organização Mundial de Saúde completou seis anos na semana passada (11): “Eu não sou coveiro”; “Me chamo Messias, mas não faço milagres”, etc.
Este era apenas o seu lado diversionista, desviando as atenções de suas ações. Enquanto quem, com um mínimo de bom senso e de empatia, se sentia desconfortado com estas declarações, o real tratamento dado ao povo foram o atraso na compra da vacina contra a Covid 19, o corte pela metade da pensão por morte, a omissão pelos desmatamentos e incêndios florestais e, entre tantos outros, a privatização de setores estratégicos da economia, especialmente os de energia e combustíveis, como a Eletrobras, a Liquigás, a subsidiária de gás TAG e a BR Distribuidora, além de outras. Se tivesse sido reeleito, ou o golpe consumado, venderia toda a Petrobras, Correios, Dataprev, Serpro e até a Casa da Moeda.
Complementando: com a privatização da BR Distribuidora, todos aqueles postos, de tons esverdeados, com a marca Petrobras, já não são mais estatais. São propriedade da Vibra Energia, uma corporation cujos principais acionistas incluem grandes fundos e investidores institucionais, como Dynamo, Previ, BlackRock e Lazard, que não seguem, necessariamente, o ritmo de preços da Petrobras. Ao contrário. Segundo o UOL Economia, desde 2023, a Petrobras reduziu entre 16% e 27% (considerando a inflação) o preço da gasolina na refinaria. No entanto, “o preço da bomba para o consumidor final subiu 27% em alguns levantamentos”. O filho, candidato a presidente, diz que dará sequência à “obra” do pai.
Pé de pato, mangalô, três vezes!!!
*Jairo Pitolé Sant’Ana, é jornalista em Cuiabá
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