Nossa tarefa nas eleições
A campanha eleitoral de 2026 só começará de verdade nas nossas cidades quando acabar a Copa do Mundo, que se inicia hoje. Seja como for, isso não atrapalha nossa tarefa de ir já antecipando avaliações de pré-candidaturas majoritárias e proporcionais ao pleito, além de definir critérios que nos ajudarão a formar principalmente um Legislativo menos ruim do que temos na atualidade.
Como bem observou a jornalista Dora Kramer, no artigo Formação do Parlamento é tarefa da sociedade (06.06), nesta eleição, “o país tem a chance de desmentir a escrita de que o próximo Congresso será sempre pior que o anterior”, lembrando ela que “quanto mais poder tem o Legislativo, mais importantes são as escolhas para a Câmara e o Senado”.
Assim, a quatro meses do pleito, imbuídos pela cidadania, aqui em Mato Grosso, de antemão, podemos exercitar, sim, a composição de futuras bancadas dos legislativos federal e estadual a partir de pré-candidaturas e da movimentação das campanhas políticas. No pleito majoritário, os mato-grossenses elegerão presidente, governador e dois senadores; no proporcional serão oito deputados federais e 24 deputados estaduais.
Seguindo Dora Kramer, “é preciso observar alguns pré-requisitos na escolha de deputados e senadores – renúncia ao pertencimento a bolhas ideológicas é um deles, mas há outros: atenção máxima ao cardápio de candidatos, prioridade semelhante à dada aos postulantes à Presidência e abandono de badulaques tais como carisma e venda de terrenos na Lua”.
Além desses, eu, particularmente, para selecionar os candidatos, aplico condições básicas (comprometimento com uma causa social, por exemplo), condições desejáveis (levar uma vida equilibrada), condições que agregam valor (interagir com seres humanos de verdade) e condições imprescindíveis (como paciência).
Listar esses pré-requisitos ajuda bastante a separar ‘o joio do trigo’, ou melhor, a distinguir candidaturas verdadeiras daquelas prejudiciais. Por exemplo, o evento denominado Marcha para Jesus, anunciado para ser realizado em Cuiabá, na próxima semana, se constituirá numa excelente ocasião para identificar candidatos oportunistas que misturam religião com política e exploram isso.
A começar pelo postulante da direita à presidência da República, que anunciou a participação no encontro evangélico. Confirmada ou não a presença de Flávio Bolsonaro, aqui na capital o evento já está contaminado, pois é organizado pelo Conselho de Pastores de Mato Grosso, cujo presidente é Edilson Senna, pré-candidato a deputado federal pelo MDB. Que tal? O que acham disso?
Para mim, esse nome, bem como os demais pré-candidatos majoritários e proporcionais de diferentes grupos e partidos participantes do futuro evento terão seus nomes anotados e já figurando na minha lista de postulantes descartáveis – aqueles que não terão meu valioso e rigoroso voto.
Pelo simples fato de que, no Brasil, o Estado é oficialmente laico desde a Proclamação da República (1891); é aquele que garante a separação oficial entre o poder político e as instituições religiosas.
Sendo assim, retorno às minhas condições de voto – compromisso com a educação pública, a saúde pública, a segurança pública, às causas ambientais e à preservação cultural e aos hábitos e costumes mato-grossenses, entre outras características do nosso estado.
Mais para frente, entre os jogos da Copa e da seleção brasileira, vou anotando, com ‘o andar da carruagem’, ou de acordo como as coisas vão acontecendo, outros pré-requisitos que me obrigaram a jogar fora votos em candidatos, ou grupos deles de determinados partidos políticos.
Pensando aqui, talvez fosse o caso de incluir, nesses requisitos meus, ‘falas sem noção’, como essas aqui do prefeito de Cuiabá – “pessoas de direita são bem-vindas à capital, enquanto aqueles que se identificam com a esquerda deveriam ir para a Venezuela”.
Convém tomar nota do partido político dele e de seus familiares que disputarão as eleições de 2026.
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