COLUNA

Sônia Zaramella

soniaz@ehfonte.com.br

Relatos e fatos, pessoais ou não, do passado e do presente de Cuiabá e de Mato Grosso.

Antes de ter certeza, tenha dúvida

Foto: reprodução

 

O assunto futebol é o que domina as conversas dos brasileiros nestes dias de Copa do Mundo. Mas, passado o torneio, a política voltará a ser protagonista nos bate-papos e nas nossas prosas por causa da proximidade das eleições de outubro. Será a 10ª eleição democrática brasileira desde 1989 e o eleitor, como mostram pesquisas diversas, está mais interessado em política do que esteve nos últimos pleitos.

Segundo o cientista político Felipe Nunes, da Genial/Quaest, “é impressionante como as pessoas estão acompanhando, buscando informações e discutindo política com amigos e familiares”.

A última pesquisa do instituto (junho de 2026) mostrou que, ao indagar ao eleitor como ele se informa sobre política, 36% deles responderam pelas redes sociais (Face, Instagram, X, WhatsApp, TikTok) e 34% via emissoras de televisão. Outros (sites, blogs, portais) somaram 9%.

Em programa da UOL TV, Nunes analisou dois pontos relacionados a esses resultados. Primeiro, em 10 anos de eleições democráticas, o país tem consolidado um novo ecossistema de comunicação que coloca o digital e o tradicional como mídias complementares. Segundo, se consolidou a ideia de que o meio tradicional é mais confiável do que o digital.

“A dinâmica, mesmo que tenha incidências compatíveis, sinaliza que a confiança no veículo tradicional e no jornalismo profissional ainda é muito maior do que no noticiário digital, blogs etc”, afirma Felipe Nunes, destacando que devemos olhar para próxima eleição com esses dois mecanismos tendo papéis complementares, não excludentes.

O cientista político observa que a televisão, por exemplo, continua produzindo conteúdo de forma tradicional, que é comentado, engajado e mobilizado nos meios digitais. “As pessoas vão ainda esperar que os meios tradicionais, entre eles, as tevês, confirmem a notícia”, disse.

Ele pontuou que enxerga o jornalismo profissional olhando para o todo e dizendo que a pauta é essa. Porém, como as redes sociais vão tratar isso, aí é outro processo, tem a ver com o engajamento, como você refina a opinião que, de alguma maneira, já construiu olhando para os meios tradicionais.

Pesquisa de maio de 2026 do Instituto Datafolha também mostrou que a maioria dos brasileiros se informa sobre política e eleições por programas jornalísticos na televisão e por redes sociais. Do total dos entrevistados, 58% dizem recorrer à tevê para se informar sobre o tema, e 54% mencionam as redes sociais.

Em seguida aparecem sites de notícias (26%), conversas com amigos e parentes (21%) e canais no YouTube (21%). Podcasts, programas jornalísticos no rádio e jornais impressos ou online empatam com 14% cada. O WhatsApp ou Telegram é citado por 10% dos entrevistados. Apenas 3% afirmam não recorrer a nenhum meio para se informar sobre política.

Assim, no atual ecossistema da comunicação, continua relevante o peso que o jornalismo profissional e veículos noticiosos – que se valem de repórteres, editores, colunistas qualificados e comprometidos com a ética, a verdade e a responsabilidade social da mídia – têm na produção da informação. E tal zelo deve transparecer nos dois ambientes de mídia – tradicional e digital.

A poucos meses das eleições, no atual contexto, devem ser reforçados nossa tarefa e dever como eleitor de avaliar as pré-candidaturas majoritárias e proporcionais ao pleito, definir critérios que ajudarão a fazer boas escolhas – para formar principalmente um Legislativo menos ruim do que temos hoje – e, sobretudo, combater a desinformação e as fake news, que já circulam em abundância. É proibido replicar!

Nesse sentido, o chamamento da Lupa – agência de combate à desinformação por meio do Jornalismo e da Educação Midiática – utilizado para titular esta coluna, “Antes de ter certeza, tenha dúvida”, é um alerta para profissionais e cidadãos.

Seguindo a mesma perspectiva, ainda anteontem (23), o UOL lançou a campanha “Defenda a verdade. Assine UOL”, iniciativa que reforça a importância do jornalismo profissional “em um cenário marcado pela desinformação, pela proliferação de conteúdos automatizados e pela crescente dificuldade de distinguir fatos de boatos”.

As fake news são notícias falsas para enganar, disseminar desinformação e boatos, criando polêmicas em torno de um determinado assunto, pessoa ou situação.

O combate é mais que necessário! É crucial para que se garanta eleições limpas e a vontade da maioria prevaleça nas urnas!

 

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