Sintep denuncia suposta adulteração de notas escolares em MT

Foto: assessoria
Por Adriana Mendes
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT), Maria Celma Oliveira, afirma que profissionais da educação encaminharam várias denúncias ao sindicato sobre suposta adulteração de notas para garantir a aprovação automática de estudantes na rede estadual. Mato Grosso registrou aprovação de 99,2% dos estudantes do ensino médio da rede estadual em 2025, segundo o Censo Escolar divulgado pelo Ministério da Educação.
Dos mais de 117 mil estudantes matriculados nessa etapa, apenas 820 não passaram de ano. O levantamento também aponta que nenhum aluno abandonou os estudos no 1º e no 2º anos do ensino médio, enquanto 117 deixaram de frequentar a escola no 3º ano.
Segundo a presidente do Sintep, os relatos apontam casos de alunos aprovados mesmo sem domínio dos conhecimentos necessários, o que, na avaliação da entidade, pode mascarar a real situação da aprendizagem em Mato Grosso.
As denúncias recebidas foram encaminhadas para que as medidas cabíveis sejam adotadas pelos órgãos competentes, segundo informou Maria Celma. A entidade também critica o uso do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) como principal indicador de qualidade, por considerar que ele avalia apenas português e matemática, com base no Saeb, além de incorporar fluxo escolar, aprovação e evasão.
Para o sindicato, esses critérios não medem integralmente a aprendizagem nem refletem a realidade das escolas. A entidade defende uma avaliação mais ampla, com foco em igualdade e equidade entre os estudantes, incluindo outros componentes curriculares, infraestrutura das unidades escolares e as condições de trabalho e estudo.
“O governo estadual adotou uma política de aprovação automática, com a chamada recomposição da aprendizagem, em que os professores precisam organizar atividades para alunos infrequentes, abonar faltas e atribuir notas. Nos dias de prova, é feita uma busca ativa para que esses estudantes compareçam”, afirma Maria Celma.
Segundo a presidente do Sintep-MT, os resultados do Ideb não refletem, sozinhos, a qualidade da educação pública no estado.
“O governo prioriza o marketing político em cima dessa prova do Ideb, que não reflete a realidade. Quem conhece a educação sabe que ela é um processo, uma construção. As coisas não acontecem automaticamente”, diz.
Na avaliação do professor Gilmar Soares, que dá aulas na Escola Estadual Vanil Stabilito, em Várzea Grande, e também é diretor do Sintep, os números escondem uma realidade perversa de uma política desenvolvida pelo governo estadual.
“A política é falsamente inclusiva e esconde uma tragédia que se abate sobre a juventude: uma condição de analfabetismo funcional, ou seja, de gente que até lê e escreve, mas não consegue interpretar adequadamente”, afirma Soares.
A crítica ao modelo também aparece em artigo da professora Maria Aparecida A. Cortez, conselheira suplente do Conselho Estadual de Educação. No texto, ela afirma que o Programa de Recomposição da Aprendizagem (PRA) pode criar uma “inclusão marginal, limitada, discriminatória e excludente” e questiona se a política não estaria apenas mascarando problemas históricos da educação básica.
Procurada para comentar os novos dados do Censo Escolar, a assessoria da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou, no domingo, que não haveria expediente nesta segunda-feira (29), em razão de ponto facultativo decretado pelo governo estadual. A pasta afirmou que retornará à solicitação na terça-feira.
Compartilhe
Assine o eh fonte
Tudo o que é essencial para estar bem-informado, de forma objetiva, concisa e confiável.
Comece agora mesmo sua assinatura básica e gratuita: