COLUNA

Adriana Mendes

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Rachas no União e no PL abrem espaço para novata em Mato Grosso

Foto: Montagem IA

Encerradas as convenções partidárias, as principais chapas que disputarão as eleições de outubro em Mato Grosso foram definidas, mas as costuras políticas (ou falta delas) deixaram sequelas nos maiores grupos políticos do estado. A presença do senador Jayme Campos (União) na convenção do MDB deu o tom desse cenário fraturado.

O apoio da família Campos à candidatura de Janaína Riva (MDB) ao Senado e a Wellington Fagundes (PL), candidato ao governo, é uma resposta ao resultado da convenção do União Brasil, que saiu rachado da convenção no estado.

Jayme não conseguiu se viabilizar como candidato ao governo. Foi preterido em favor do apoio ao governador Otaviano Pivetta (Republicanos), articulado pelo ex-governador Mauro Mendes. Embora tenha recebido o maior número de votos na convenção, essa escolha deixará fissuras difíceis de reparar.

“Infelizmente, fui traído dentro do meu próprio partido, que ajudei a construir desde 1980. O poder do Estado e o poder econômico prevaleceram sobre a vontade do povo mato-grossense”, afirmou Jayme em discurso.

No caso do PL, a legenda abraçou a candidatura da deputada estadual Janaína Riva (MDB), que é nora do senador Wellington Fagundes. A deputada chegou a cogitar uma candidatura ao governo e também negociou a vaga de vice de Pivetta, mas a composição acabou ficando em família. Na chapa ao Senado, Janaína fará dobradinha com o deputado federal José Medeiros (PL), aliado de Jair Bolsonaro e refratário ao acordo com o MDB. A deputada minimizou a resistência ao seu nome. “Para nós do MDB, a aliança foi extremamente importante, porque o partido acredita nesse projeto e precisava de um palanque”, afirmou.

Como em política tudo se resolve com panos quentes, a orientação da Executiva Nacional do PL é para que os integrantes insatisfeitos baixem a guarda e aceitem a composição. Eles estão proibidos de pedir voto para Pivetta. Insatisfeito com a aliança, o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), reagiu publicamente, mas já declarou que permanece na legenda.

Pivetta, pressionado e diante do veto de Mauro Mendes ao nome de Janaína, escolheu o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) como vice. Ficou sem alternativa viável e preferiu não bater de frente com seu aliado. Inicialmente, a proposta era a indicação de uma mulher. A avaliação de parte do grupo é que Garcia “não agrega”. O grande problema de Pivetta é a falta de carisma e de engajamento no contato direto com a população. Ele tem feito treinamento de mídia, postura, mas o resultado não aparece do dia para a noite.

Já o Podemos, comandado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Max Russi, negociou seu espaço até o último dia. Preterido na indicação de vice de Pivetta, o partido foi convidado a compor a chapa de Wellington, mas decidiu não romper com o grupo governista e apoiar Pivetta. Também estavam em jogo os efeitos da decisão sobre a futura disputa pelo comando da ALMT. Apesar de estar bem cotado devido à força das chapas de candidatos estaduais e federais, o jogo de barganha provocou desgaste.

Quem pode levar vantagem com esse novo quadro é a médica Natasha Slhessarenko, candidata ao governo pelo PSD com apoio da Federação Brasil da Esperança, formada pelos partidos PT, PV e PCdoB, e coligação com PSB, PDT, Rede e PSOL. Filha da ex-senadora petista Serys Slhessarenko, Natasha é novata, pouco conhecida, precisa ganhar visibilidade e construir uma identidade política própria.

Dessa forma, a campanha começa com partidos rachados, aliados desconfiados e velhos caciques tentando manter o controle do jogo.

 

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