Por que não melhorar?
Jairo Pitolé Sant’Ana*

Foto: Agência Brasil
Perdão, solidário leitor, por relembrar mais uma vez a frase dita por Ulysses Guimarães há quase quatro décadas (“Está achando ruim este Congresso? Então, espera o próximo: será pior. E pior, e pior…”), rebatendo as constantes críticas ao parlamento, que também funcionou como Assembleia Nacional Constituinte, presidido por ele naquele momento. Não por acreditar que essa profecia ou, sei lá, maldição se eternize nesta terra de Pindorama. Ao contrário, por achar ser a eleição deste ano uma chance de mudar esta tendência, desde que a maioria dos votos seja dada a nomes comprometidos com a democracia. Alijar, se possível, a extrema direita. Se não der, pelo menos tentar reduzir seus tóxicos representantes.
(Até porque, o país vive uma encruzilhada. Imagine um próximo Congresso pior que o atual, que já abocanha quase um terço dos recursos federais destinados a investimentos ou que quase aprova uma lei tornando seus membros intocáveis judicialmente? A PEC da Blindagem, popularmente conhecida como PEC da Bandidagem, só não se tornou realidade, porque os movimentos populares foram às ruas protestar contra essa excrecência, claramente abusiva e ilegal).
Especialmente, abortar suas pretensões de dominar o Senado Federal a partir de 2027. A intenção (há uma tese nesta direção) é eleger 54 membros para dominar o STF (Supremo Tribunal Federal). Segundo o professor João Cezar de Castro Rocha, da UERJ, um estudioso da retórica do ódio e do bolsonarismo na política nacional, se obtiver maioria na casa, a extrema-direita “poderia viabilizar seu projeto autoritário”, independente de quem vencer as eleições presidenciais. “Com maioria no Senado, o impeachment de um ministro do STF se torna viável”. É bom lembrar que o STF tem barrado, especialmente no caso do “orçamento secreto”, as investidas, cada vez mais ousadas, do legislativo sobre o executivo, principalmente no âmbito federal.
E também, convenhamos, abrir espaço para novos nomes da diversidade social brasileira. Tornar mais democrático e representativo o Congresso Nacional, atualmente formado por 273 empresários e 160 fazendeiros contra cerca de 40 sindicalistas e três membros do MST (Movimento dos Trabalhadores sem Terra). Equilibrá-lo um pouco mais no quesito cor/raça. Embora pretos e pardos sejam, segundo o Censo de 2022, a maioria (55,51%) da população brasileira, sua representatividade fica em torno de 26,5%. Já os brancos (menos de 45%) abocanham cerca de 73% dos assentos. Além disso, são apenas quatro deputados federais indígenas e dois autodeclarados de cor amarela. Não esqueçamos o patriarcado dominante. As mulheres são apenas 18% (107 dos 594).
Já esclarecendo não ter nada contra as profissões a serem citadas, é hora também de ter menos representantes com nomes tipo Cabo, Capitão, Coronel, Delegado(a), Dr. (a), Pastor e Sargento, predominantemente de extrema-direita, e mais tipo Professor (a). Quem sabe, assim o ensino fundamental público seja finalmente encarado como prioridade.
*Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista em Cuiabá.
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