O que diz sobre Wellington o livro citado por Natasha em debate
A candidata ao governo de Mato Grosso Natasha Slhessarenko (PSD) questionou, durante o debate promovido pela TV Vila Real, na terça-feira (2), por que o senador Wellington Fagundes (PL), seu adversário na disputa, é um dos personagens do livro Os Ben$ que os Políticos Fazem, do jornalista Chico de Gois. Em resposta, Wellington afirmou que trabalha muito e que, por isso, é “criticado às vezes”.
“O que me traz tranquilidade é que, durante 34 anos de mandato, não respondi a nenhum processo e nunca fui condenado”, declarou.
Publicado em 2013, o livro reúne perfis de dez políticos que tiveram alto crescimento patrimonial. Na época, Wellington era deputado federal pelo PR, sigla que passou a se chamar PL em 2019. Além da menção ao mato-grossense, o autor detalha os casos de enriquecimento do ex-presidente da Câmara Arthur Lira, e de Domingos Brazão, ex-deputado federal e ex- conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, condenado pela morte de Marielle Franco.
O capítulo dedicado a Wellington, intitulado “Verde como marca registrada”, aborda sua trajetória política, o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, os negócios atribuídos à sua família e episódios envolvendo sua atuação no Congresso. “Uma marca reconhecida por quem trata cordialmente com ele, fazendo política ou negócio (ou os dois) e por quem o encontra de vez em quando”, descreve o autor logo no início.
Segundo o livro, o parlamentar declarou patrimônio de R$ 681 mil nas eleições de 2006 e de R$ 7,2 milhões em 2010. Na atual campanha, informou à Justiça Eleitoral possuir R$ 13,1 milhões.
Disputa com Pagot
Chico de Gois também recupera o embate entre Wellington e Luiz Antônio Pagot, então diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
Em entrevista à revista Época, publicada em abril de 2012, Pagot acusou o parlamentar de pressionar o órgão em favor da construtora Delta. Segundo o ex-diretor, Wellington teria tentado reduzir exigências relativas à correção de uma camada de concreto fora das especificações técnicas na BR-163, na Serra de São Vicente.
O livro também atribui a Wellington participação na articulação que levou à saída de Pagot do comando do Dnit, apesar de ambos pertencerem, naquele período, ao mesmo partido.
“Armaram um complô pra me tirar do Dnit: Sandro Mabel, Carlinhos Cachoeira, Wellington Fagundes e Waldemar da Costa Neto, porque não compactuava com as falcatruas deles”, afirmou Pagot à coluna.
A briga entre os dois foi levada para a campanha eleitoral deste ano. Pagot é um dos coordenadores da candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos), que faz críticas constantemente e cita a influência que Wellington tinha no Dnit.
Máfia dos sanguessugas
O livro ainda aborda a citação de Wellington nas investigações da chamada máfia dos sanguessugas, esquema de fraudes na compra superfaturada de ambulâncias e equipamentos hospitalares com recursos de emendas parlamentares. A empresa Planam, sediada em Mato Grosso, negociava com parlamentares a destinação das emendas aos municípios que adquiriram seus produtos.
O escândalo veio a público em 2006, mas não impediu a reeleição de Wellington naquele ano, quando os principais jornais do país enviaram repórteres para cobrir a investigação em Cuiabá.
Reeleito em 2010, Wellington conseguiu emplacar como secretário de Transporte e Pavimentação Urbana no governo de Mato Grosso o então chefe de gabinete Cinésio de Oliveira, que foi acusado por Luiz Antônio Vedoin, um dos sócios da Planam, de receber propina em nome do chefe. Cinésio, que é atual chefe de gabinete, também foi citado na delação do ex-governador Silval Barbosa. O senador tem repetido que Cinésio não responde a processo e nunca foi condenado.
O suposto assalto
O livro também narra um episódio ocorrido durante a cobertura do escândalo em Cuiabá. Jornalistas receberam a informação de que Wellington teria sido assaltado e perdido um pacote de dinheiro, mas não localizaram boletim de ocorrência. Procurado por telefone pelo jornalista Fausto Macedo, do jornal “O Estado de S.Paulo”, ele negou ter sido vítima de assalto e afirmou que nada havia acontecido.
Ao final do capítulo, Chico de Gois informa que encaminhou à assessoria dez perguntas sobre o crescimento de seu patrimônio, participações empresariais, declarações de bens, emissoras atribuídas à família e investigações relacionadas ao caso dos sanguessugas. Segundo o autor, os questionamentos listados na publicação não foram respondidos à época. Procurada agora pela coluna, a assessoria de Wellington não comentou o conteúdo do livro.
*Os textos das colunas e dos artigos são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do Eh Fonte.
**A coluna do eh fonte pode ser republicada, desde seja mantida a integridade do texto, citada a autoria (nome da colunista/Eh Fonte) e incluído o link para o material original da página)
Compartilhe
Assine o eh fonte
Tudo o que é essencial para estar bem-informado, de forma objetiva, concisa e confiável.
Comece agora mesmo sua assinatura básica e gratuita:
