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Futebol de botão

Foto: José Medeiros

Eduardo Ferreira*

Quem não se lembra disso? Na minha infância e início de adolescência, nós, garotos, jogávamos com frequência.

Atualmente tem uma galera se reunindo na Casa do Centro, Estação 737, um centro irradiador cultural que fica na Praça da Mandioca, para jogar futebol de botão. Artistas, jornalistas, músicos, fotógrafos, técnicos de sons, radialistas. É uma reunião de pessoas de diferentes profissões e modos de vida que comungam o prazer de jogar futebol de botão. É diversão garantida!

O que começou com cinco jogadores hoje tem cerca de 20, e mais um monte de gente que diz que quer participar. Desligando o vídeo game!

A ideia é reeditar o delicioso jogo que exige enorme concentração, tato, intensidade na pressão do disco, percepção de espaço, distância e estratégias. A dificuldade de chutar a gol com destreza, vibrar, brincar e até “brigar”: a resenha é o melhor do jogo, a gozação, a pilha de nervos, a disputa, a dificuldade que o próprio jogo impõe. Sem zoeira não tem graça.

Nesse jogo cada um escolhe o seu time.Tem times europeus, brasileiros, brasileiros de Mato Grosso. É muito interessante esse ponto, oportunidade de um time de Cuiabá jogar com o Real Madri, Barcelona, River Plate, enfim…as misturas mais inusitadas numa demonstração de democracia radical, sem limites técnicos ou da grandeza dos clubes tradicionais, completamente fora das lides mercadológicas que hoje dominam o futebol.

O futebol de mesa, ou futebol de botão, já é reconhecido como esporte no Brasil pelo Conselho Nacional de Desportos (CND), por meio da Resolução 14 de 29 de setembro de 1988. A rapaziada em Cuiabá está mirando o futuro com a possibilidade de criar a Federação Mato-grossense de Futebol de Mesa e, quem sabe, criar o campeonato mato-grossense. Lembrando que existe a Confederação Brasileira de Futebol de Mesa.

Tudo começou com meu irmão André Balbino, que adquiriu um campo para a prática do jogo e os discos com dois times de futebol embrulhados para presentear seus filhos gêmeos Pedro e Tiago, apaixonados por futebol. O que era para ser presente aos filhos, virou brinquedo de pais e filhos.

Esses fatos que deram início à nossa jornada pelas mesas de futebol aconteceram na casa de nosso pai, Thiers Ferreira, de 89 anos, que arriscou jogar algumas partidas comigo e André. Aliás, ele nos iniciou nessa prática quando crianças ainda, em Guiratinga. Cinquenta anos depois, voltamos a jogar. Nos apropriamos do brinquedo dos meninos e iniciamos a brincadeira toda. Depois chegou Luiz Renato. José Medeiros apareceu também e logo tascou: vamos jogar lá na Casa do Centro, um Instituto Cultural, no Largo da Mandioca. Aceitamos prontamente e a base hoje fica lá, atualmente com dois campos oficiais.

Narbal Guerreiro, jornalista e artista visual, era nossa maior referência de futebol de mesa em Cuiabá. Ele gostou da novidade e chegou com tudo, levando dois campos oficiais (já adquirimos um dos campos), presenteou-nos com nossos times de preferência e os encontros foram crescendo com novos integrantes a cada semana. Figuras como o músico e compositor Guapo; o maestro Taubaté, o músico e afinador de pianos, Marques Caraí; os músicos Felipe do Mato e Taiguara; o jornalista Protásio de Moraes; o músico Márcio Luciano; José Medeiros Filho, enfim, uma rapaziada diversificada e apaixonada pelo jogo.

Vamos continuar escrevendo aqui neste espaço, contando estórias que surgem desses encontros na Casa do Centro. Um movimento retrô-cult que marca o momento de efervescência que Cuiabá vem experimentando. A capital da diversidade cultural e esportiva.

*Eduardo Ferreira é músico, compositor, escritor e cineasta

 

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