Por que a mineração é importante na sua vida
Caiubi Kuhn*
A história humana é contada e marcada por períodos que registram o uso de recursos minerais. Você deve lembrar que, na escola, estudou sobre a Idade da Pedra, a Idade do Cobre, a Idade do Bronze e a Idade do Ferro; todos esses períodos receberam nomes relacionados aos recursos minerais dominados em cada época. Porém, outros períodos posteriores também foram marcados pelo uso intensivo de novos recursos minerais, como a Revolução Industrial, caracterizada pelo uso do carvão e de outros recursos fundamentais para a produção de produtos químicos e, atualmente, a Revolução Tecnológica, que também demanda o uso de recursos minerais importantes, como as terras raras. Sem esses recursos minerais, nenhuma dessas revoluções teria ocorrido.
A mineração está presente em tudo o que usamos: no carro, nos computadores, no celular, no posto de saúde, na escola, no asfalto, na rede elétrica, no Wi-Fi e em muito mais. Para que tudo isso seja construído e funcione, é necessária a utilização intensiva de recursos minerais. Porém, cada recurso mineral é encontrado em determinados ambientes geológicos, o que significa que nenhum país no mundo possui recursos abundantes de todos os minerais necessários ao desenvolvimento humano. Por isso, conflitos e disputas geopolíticas ocorrem com frequência pela disputa de recursos naturais.
Surge, nesse contexto, a classificação em minerais críticos e estratégicos. O primeiro refere-se aos recursos minerais que são escassos em determinado país; o segundo refere-se àqueles em que o país possui uma posição vantajosa.
Para o leitor entender melhor, no caso do Brasil, existe uma demanda de importação de minerais como fosfato, potássio, enxofre e molibdênio, sendo esses considerados nossos minerais críticos, pois o país possui alta dependência externa, tornando o cenário vulnerável. Recursos como potássio e fosfato são fundamentais para a agricultura nacional e, por isso, a dependência externa pode representar um risco para o agronegócio do país.
Por outro lado, alguns minerais altamente cobiçados, devido à sua importância para a produção de alta tecnologia, são encontrados em território nacional, como cobalto, cobre, estanho, grafita, grupo da platina, lítio, nióbio, níquel, silício, tálio, tântalo, terras raras, titânio, tungstênio, urânio e vanádio. Embora esses recursos minerais sejam considerados críticos em âmbito internacional, no Brasil podem ser considerados, em alguns casos, extremamente estratégicos, como é o caso do nióbio, do qual o país possui as maiores reservas do planeta. O país também apresenta vantagem em outros recursos, como alumínio, cobre, ferro, grafita, ouro, manganês e urânio.
Esse cenário pode se tornar ainda mais favorável no futuro, já que boa parte do país ainda não está devidamente mapeada em escala adequada. Apenas 30% do território nacional está mapeado na escala 1:100.000, na qual 1 centímetro no mapa representa 1 quilômetro na realidade. Em estados como Mato Grosso, essa proporção cai para 13%. Isso significa que, no futuro, conforme novos mapeamentos sejam realizados, muitas novas jazidas ainda podem ser descobertas, ampliando ainda mais a posição do país em relação à produção mineral global.
Produzir, porém, não basta; é necessário pensar no papel estratégico dos recursos minerais. Um exemplo são as terras raras, fundamentais para a produção de equipamentos de alta tecnologia. Embora o Brasil possua a segunda maior reserva do planeta, o país precisa investir em desenvolvimento científico e tecnológico para o refino e o processamento desses minerais, uma vez que essa área é atualmente amplamente dominada apenas pela China. O futuro do planeta e do Brasil passa pela mineração; porém, é necessário que esse setor seja desenvolvido de forma adequada, com tecnologias e pesquisas que possibilitem o uso racional dos recursos minerais, conciliando a atividade com a proteção ambiental e o desenvolvimento social e econômico.
*Caiubi Kuhn é geólogo, doutor cotutela em Geociência e Meio Ambiente (UNESP) e Environmental Sciences (Universidade de Tubingen), professor na UFMT, presidente da Federação Brasileira de Geólogos (FEBRAGEO).
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