Misoginia na UFMT: reitora confirma novo afastamento de aluno
O escândalo da “lista de estupráveis” – que circulou em grupos de mensagens de estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – causou mais um afastamento. Desta vez, um estudante de Engenharia Civil foi suspenso após um homem que se apresentou como seu pai invadir o campus de Cuiabá da faculdade, na quarta-feira (14), e fazer ameaças aos alunos de Engenharia Civil. A informação foi confirmada em entrevista exclusiva da reitora da UFMT, Marluce Souza, ao eh fonte.
Segundo a reitora, o homem teria dito que, se o filho fosse prejudicado, nenhum dos outros estudantes também se formaria. O estudante afastado está proibido de frequentar as dependências da UFMT e de manter contato com possíveis testemunhas durante as investigações.
A invasão levou à suspensão imediata das aulas presenciais do primeiro semestre do curso de Engenharia Civil e motivou a universidade a registrar boletim de ocorrência na delegacia da Polícia Civil de Mato Grosso. A instituição solicitou reforço da PM e do serviço interno de segurança.
As imagens das câmeras da universidade mostram o suspeito circulando pelos corredores com mochila, boné preto e um objeto na cintura. Estudantes ameaçados também foram à delegacia, acompanhados de advogado, para formalizar denúncia e pedir investigação.
O caso se soma ao afastamento anterior de um estudante de Direito, suspenso por liminar no início do mês, e ocorre sob pressão do Ministério Público de Mato Grosso, que instaurou procedimento administrativo para investigar crimes de misoginia e ameaça de violência sexual. Em entrevista ao eh fonte, a reitora da UFMT, Marluce Souza e Silva, explicou os procedimentos adotados e deu detalhes sobre os dois casos. Os nomes não foram divulgados, pois estão sob sigilo nas investigações.
Leia a entrevista.
Quem são os estudantes envolvidos?
É importante que a sociedade saiba que esses dois estudantes envolvidos nesse caso são estudantes do primeiro semestre, portanto eles são calouros, eles chegaram aqui com esse comportamento. Eles não são formados pela universidade, porque a universidade combate o assédio, a violência, a misoginia e não vai ter tolerância com esse tipo de comportamento.
Que medidas a Universidade Federal de Mato Grosso tomou?
Nós temos uma resolução aprovada nos nossos órgãos colegiados que determina os procedimentos a serem cumpridos pela instituição. Neste caso, como envolve dois estudantes: da Faculdade de Direito e da Faculdade de Engenharia Civil, nós temos um procedimento que é o inquérito disciplinar discente, iniciado pelo diretor da faculdade à qual os estudantes pertencem. Nós tivemos a manifestação primeiro do estudante da Faculdade de Direito, que procurou o diretor e relatou que o telefone dele havia sido apropriado por terceiros e que estava circulando na sociedade mensagens e imagens que foram retiradas desse celular. Um diálogo estabelecido entre ele e outro estudante da Faculdade de Engenharia Civil. O diretor recebeu também a manifestação do Centro Acadêmico, principalmente das estudantes mulheres, que estavam se sentindo muito intimidadas, constrangidas e com muito receio da presença do estudante ainda dentro do espaço físico da Universidade Federal. Imediatamente, o diretor suspendeu esse aluno, comunicou a reitoria, instituímos uma comissão de investigação e abrimos então um processo disciplinar. O que a universidade tem que fazer é esse procedimento de ouvir os estudantes, de ouvir todas as partes.
E em relação ao outro aluno?
Em relação ao outro estudante, nós tivemos o mesmo procedimento. Convidamos o estudante da Engenharia Civil para se manifestar num prazo de 48 horas. Ele não veio. Quem veio no dia seguinte foi uma pessoa que se apresentou como o pai e ele não procurou a gestão, não procurou a reitoria, nem a direção ou coordenação. Foi direto conversar com os estudantes da mesma sala do filho e fez ameaças verbais. Imediatamente pegamos as imagens e fomos registrar a denúncia na delegacia de polícia civil.
O estudante da Engenharia pode também ser suspenso?
Ele já foi suspenso ontem, após a invasão por parte desse senhor que diz ser o pai dele e que esteve na universidade fazendo ameaças aos demais colegas da sala de aula. Dizendo que, se o filho dele não formasse ou fosse prejudicado, nenhum dos demais iria também se formar. Então, nós registramos essa ameaça junto à delegacia e às demais instituições e estamos instaurando também a mesma comissão de investigação e o estudante foi afastado.
Com relação ao caso, tem um prazo para se ter uma conclusão?
Não, não tem prazo, mas a solicitação é de que essas medidas sejam rapidamente adotadas e que a comissão dê prioridade a esse fato.
Existe ou não existe uma lista?
Essa lista não chegou às mãos da reitoria. O que existe é um diálogo estabelecido entre os dois estudantes, onde eles mencionam meninas e apontam características. Eles não nominam, mas apontam características físicas de cada uma delas.
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