Ir para o conteúdo

Assine o eh fonte e apoie o jornalismo independente

É rápido e grátis!

Ative o JavaScript no seu navegador para preencher este formulário.
Política

COLUNA

Adriana Mendes

adrianam@ehfonte.com.br

Informações de política, judiciário e meio ambiente.

Banner
Banner

Lista infame de alunos da UFMT exige punição exemplar

Foto: Isaac Prado

O caso de misoginia envolvendo estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)  levou à suspensão de um aluno do curso de Direito, provocou protestos na instituição e passou a ser investigado também pelo Ministério Público de Mato Grosso. A apuração começou após a circulação de prints de uma conversa em que alunos faziam comentários misóginos e mencionaram a intenção de criar um ranking de colegas mulheres “estupráveis”.

A partir dos prints, comentários nos grupos de WhatsApp contribuíram para que a notícia se espalhasse.

O impacto entre as alunas foi imediato. Cartazes em protesto à misoginia foram espalhados na faculdade. Uma estudante do curso de Direito, que preferiu não se identificar, resumiu o sentimento coletivo em relato ao repórter Isaac Prado. Segundo a estudante, a denúncia expôs uma realidade vivida diariamente por muitas mulheres.

“A revelação dessa conversa absurda e enojável provocou inquietação entre as alunas e nos fez perceber o quão próximos estão os discursos e atitudes de desprezo à existência da mulher”, afirmou.

A estudante ressaltou que o episódio não é isolado, faz parte de um contexto mais amplo de denúncias de assédio e violência que vêm sendo registradas recentemente na universidade. No ano passado, Solange Aparecida Sobrinho, de 52 anos, foi estuprada e assassinada em uma área desativada dentro do próprio campus.

A reação institucional começou com manifestação do Centro Acadêmico VIII de Abril (Cadi), que emitiu nota contra a misoginia. No entanto, a falta de detalhes sobre os motivos da nota gerou receio e burburinho entre as alunas, que cobraram esclarecimentos sobre a situação.

Diante da pressão, o centro acadêmico de Direito convocou uma Assembleia Geral Extraordinária, realizada no dia 4 de maio de 2026, para  esclarecer melhor os fatos. Na pauta da assembleia, constou a discussão sobre a “nota anti-misoginia” e a comunicação das providências adotadas para garantir um ambiente acadêmico seguro.

O curso tem uma sala de acolhimento, que funciona em regime de plantão, para realização de uma “escuta inicial qualificada por equipe interdisciplinar”. De acordo com o Cadi, a proposta é dar suporte e orientação a pessoas em situação de violência ou violação de direitos, tanto para o público interno como externo.

Com base no regimento disciplinar da UFMT, que veda condutas como assédio moral ou sexual e atos que ameacem a integridade psicológica dos membros da comunidade, o aluno envolvido foi afastado.

Nas redes sociais, circulam imagens atribuídas ao aluno investigado, mas a UFMT afirma que o procedimento é sigiloso e não permite a divulgação de nomes ou detalhes da apuração.

“Trata-se de uma exigência que decorre da legislação e das normas da UFMT, não de uma opção discricionária.⁠ O sigilo NÃO significa omissão. Sabemos que o silêncio institucional pode ser confundido com inação. Não é o caso. A Direção da FD/UFMT está atuando com rigor, celeridade e responsabilidade”, diz o texto de uma nota divulgada aos alunos pela direção do curso de Direito, que reforça as medidas administrativas adotadas.

Também foi divulgada mensagem direta às alunas. “Vocês não estão sozinhas. Entendemos profundamente a angústia de não conhecer detalhes, mas, neste momento, o dever legal de sigilo existe justamente para proteger quem precisa ser protegido”.

O relatório final  do processo poderá recomendar desde a suspensão até a exclusão dos alunos envolvidos. Um outro estudante, do curso de engenharia,  de acordo com que a coluna apurou também está sendo investigado já que aparece nas conversas divulgadas

Os próximos passos dependem do relatório final do processo e das apurações do Ministério Público.

Que as autoridades sejam rigorosas na punição dos responsáveis por essa ideia tão absurda, pois ainda que não tenha se concretizado, a sugestão da lista revela o desprezo e a falta de respeito desses meninos/homens pelas colegas mulheres. É muito triste constatar que a misoginia está presente no ambiente acadêmico da UFMT. É dever da Universidade combater esse tipo de prática com o rigor necessário para que não se repita.

*Os textos das colunas e dos artigos são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do eh fonte.

**A coluna do eh fonte pode ser republicada, desde seja mantida a integridade do texto, citada a autoria ( nome da colunista/ eh fonte)  e incluído o link para o material original da página.

Compartilhe

Assine o eh fonte

Tudo o que é essencial para estar bem-informado, de forma objetiva, concisa e confiável.

Comece agora mesmo sua assinatura básica e gratuita: