Duas vagas ao Senado redesenham disputa eleitoral em MT
Por Fátima Lessa
Mais do que definir dois novos representantes de Mato Grosso em Brasília, a eleição para o Senado em 2026 altera a própria lógica da disputa eleitoral no estado. Com duas vagas em jogo, os partidos ampliam suas estratégias, buscam diferentes composições e estimulam um número maior de candidaturas, tornando a corrida ao Senado um dos principais eixos das articulações políticas.
O cenário ajuda a explicar a movimentação de algumas das principais lideranças estaduais. O ex-governador Mauro Mendes (União), o senador Carlos Fávaro (PSD), que buscará a reeleição, a deputada estadual Janaina Riva (MDB), o deputado federal José Medeiros (PL), o ex-governador Pedro Taques (PSB), o advogado e professor universitário Diogo Botelho (PDT) e o produtor rural e ex-presidente da Aprosoja Brasil Antonio Galvan (Avante) figuram entre os nomes cotados para a disputa.
Diferentemente de uma eleição em que apenas uma cadeira está em disputa, as duas vagas ampliam as possibilidades de composição partidária e abrem espaço para mais candidaturas competitivas. Ao mesmo tempo, fortalecem projetos que buscam ampliar a representação no Congresso Nacional e influenciam diretamente as negociações pelo governo do estado.
É nesse contexto que as articulações nacionais entre PL e Republicanos passam a ser acompanhadas com atenção. Enquanto Mauro Mendes, pré-candidato ao Senado, trabalha para viabilizar a candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à sucessão estadual, o senador Jayme Campos (União) defende que o União tenha candidatura própria ao Palácio Paiaguás.
Apesar dessas negociações, o cenário estadual permanece relativamente preservado. Em visita a Mato Grosso, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, reafirmou que a legenda manterá a pré-candidatura do senador Wellington Fagundes ao governo, descartando mudanças motivadas pelas tratativas nacionais.
A sinalização foi reforçada durante agenda pública ao lado de Wellington Fagundes, José Medeiros e do presidente estadual do PL, Ananias Filho. Na ocasião, a direção do partido admitiu, inclusive, a possibilidade de disputar a eleição sem alianças, caso isso seja necessário para preservar a candidatura de Wellington e os demais interesses da legenda no estado.
Enquanto isso, o União vive um momento decisivo. A convenção da legenda, inicialmente prevista para agosto, foi antecipada para 30 de julho em meio às disputas internas sobre a sucessão estadual. A definição da candidatura ao governo deverá influenciar também a composição das chapas ao Senado e o desenho das alianças para 2026.
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