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“Um jeito digoreste de sentir”

Foto: Prefeitura de Cuiabá

Judite Rosa e Natacha Wogel

É fácil encontrar nas ruas de Cuiabá pau-rodado que apronta um piseiro danado quando é chamado desta forma. Principalmente pelo fato desta cidade ser digoreste e todos, que aqui chegam, passarem a ser cuiabanos de coração.

Cuiabá, cidade de povo festeiro, acolhedor e ganjento, que tem orgulho de ter nascido aqui. Povo que inda sabe dar valor ao calor do sol e a moagem gostosa da sombra das mangueiras. Que pousa nas redes com varanda tendo a tranquilidade de quem inda vive na Cuiabá onde todos se conhecem e o vizinho é um grande amigo.

Cuiabá, terra do pixé, do bolo de arroz, da paçoca e da canjica. Cidade das palmeiras, dos casarões, das belas igrejas e das ruas estreitas.

Capital daqueles que apreciam um quebra-torto todas as manhãs. Cidade do pescador que faz questão de preparar o peixe que pescou. Terra da pêra assada e da ventrecha de pacu.

Cuiabá do siriri e do cururu. Cidade que nasceu com os bandeirantes que, para aqui vieram, na esperança de bamburrar, fazendo fortuna com o ouro que encontravam em abundância.

Como é bom assuntar o menino taludo que solta a pandoga ou brinca de pari-gato, conservando os costumes de seus pais e avós, que cresceram brincando de finca-finca no Campo D’Ourique.

Terra do povo festeiro, que carrega a bênção de São Benedito e gandaia uma semana seguida em nome dele. Povo esse, que choca a boemia de segunda a segunda, antes mesma de iniciar a noite, nos diversos bares que a cidade oferece. Cidade do Chopão, ah! o Chopão! Do escaldado de frango que não deixa o cuiabano contente com apenas um chiriri, mas com pelo menos três ou quatro pratos, receita excelente para curar uma boa bebedeira.

Cuiabá dos boêmios e seresteiros que frequentavam o Continental, na Getúlio Vargas, e hoje fazem do Chorinho o seu ponto de encontro.

Esta é a Cuiabá, terra que acolhe muitos que não são de chapa, mas que, pelo amor que a cidade inspira, querem se tornar de cruz.

Vôte! Tcha por Deus! Cuiabá é demais de bão!

 

*Judite Rosa e Natacha Wogel são jornalistas em Cuiabá.

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