COLUNA

Adriana Mendes

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Informações de política, judiciário e meio ambiente.

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Cuiabá: o futuro ainda não começou

Seminário “Cuiabá 2040: planejando o Futuro da capital” Foto: CDL Cuiabá

A iniciativa privada tomou a frente do debate sobre o futuro da capital, com um olhar voltado para a “Cuiabá 2040”. Em reunião com lideranças empresariais, políticas e acadêmicas, foram apresentados desafios e perspectivas econômicas para as próximas décadas. A Cuiabá que todos dizem querer não é uma cidade tomada por buracos, com problemas financeiros e sem visão de futuro.

Mas cadê o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, no debate?

O empresário Júnior Macagnam, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL), afirmou que a iniciativa de discutir o futuro da cidade surgiu a partir de uma provocação feita por um médico e da percepção de desânimo entre empresários da capital.

“Eu fui fazer uma endoscopia e o médico falou que ia embora de Cuiabá, porque não estava mais satisfeito. Depois, em uma reunião no Distrito Industrial, conversando com vários empresários, senti um desamor pela cidade, com restrições em fazer investimentos aqui”, relatou.

A proposta, segundo ele, é promover um debate capaz de estimular novos investimentos e cobrar uma atuação mais efetiva do poder público. 

“O que sinto que falta é diálogo e cooperação. Com essas atitudes, a cidade tem tudo para evoluir”, destacou. Ele observou que a cidade precisa resolver problemas como obras paradas há 14 anos, dificuldades de mobilidade urbana e falhas na limpeza pública. “Embora a cidade cresça por conta da pujança de Mato Grosso, poderíamos crescer mais e ser melhores”, completou.

O ex-presidente do IBGE Paulo Rabelo Castro disse que gosta muito do prefeito Abilio Brunini (PL), a quem descreveu como um gestor “energético”, mas não hesitou em fazer críticas e apresentar sugestões à administração municipal.

“Ele é corajoso, perceptivo, mas meio circular: roda, roda, roda e, em vez de ir para frente, volta para o mesmo lugar. Primeiro recado: o prefeito deveria ouvir mais a classe empresarial”, afirmou, ressaltando a ausência do gestor no evento.

Na avaliação de Castro, uma administração que se apega ao passado está condenada ao erro. 

“Ao entrar na própria sede da prefeitura, a gente vê o antigo dominando o moderno, não pelas pessoas, mas pela falta de pintura. Ele (Abilio), como arquiteto, deveria ter feito uma reforminha, mesmo que fosse ele mesmo… pode me chamar, pegar um galão de tinta e partir para dar um aspecto novo à sua própria casa, a sede da prefeitura, e, a partir dali, em círculo, no Centro Histórico”, disse.

Entre as sugestões, o economista citou a elaboração de uma lei voltada à eficiência da gestão municipal.

A restauração do Centro Histórico da capital também entrou em debate. O arquiteto Johnny Rother defendeu que o centro não é um problema, mas um ativo urbano subutilizado. Segundo ele, a chave para atrair investimento privado é levar a população de volta à região.

Para isso, Rother propôs quatro pilares: habitação como motor de ocupação, retrofit de edifícios antigos, incentivos fiscais e atração da população jovem, viabilizados por parcerias público-privadas.

“Se trouxermos de volta os moradores e ativarmos os térreos urbanos para função comercial, valorizamos o patrimônio e recuperamos o desejo das pessoas pelo centro”, afirmou.

Para dar exemplo de gestão, o prefeito de Canoas, Airton Souza, também do PL, contou como foi o início de seu mandato em meio à enchente no Rio Grande do Sul.

“Eu sou do PL, mas não sou da ala extremista”, afirmou. 

Souza relatou que dialogou com representantes de todos os partidos e foi a Brasília buscar recursos para reconstruir a cidade. Para ele, a chave está no diálogo e na atração de empresas.

À época da enchente, Canoas teve 80 mil residências submersas, 180 mil pessoas atingidas diretamente, bairros inteiros evacuados e diques rompidos, hoje reconstruídos. Segundo o prefeito, a gestão implantou um sistema de proteção contra cheias, construiu mais de 5,5 mil novas moradias, com prioridade para mães solo, e criou um fundo de desenvolvimento para oferecer incentivos fiscais a empresas, com o objetivo de transformar Canoas no “Vale do Silício” gaúcho.

Na avaliação de Gustavo Oliveira, presidente do Instituto Atlântico e vice-presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), o seminário resultou em um “puxão de orelha”. 

“Estamos assistindo e não estamos propondo, estamos esperando o prefeito e não estamos escrevendo a história”, afirmou. 

Mas onde estava Abilio?

Procurado pela coluna, o prefeito de Cuiabá disse que iria ao evento de “entrão”(sic). Ele confirmou que chegou até o estacionamento da CDL, mas justificou que foi avisado de que representantes da concessionária CS Mobi já o aguardavam no gabinete para uma agenda previamente marcada.

“Como tem uma briga judicial, eu tive que priorizar”, explicou. O convite oficial, segundo o prefeito, só teria ocorrido no dia anterior, durante a visita do prefeito de Canoas. A organização informou, porém, que o convite foi enviado com antecedência.

Para alguns participantes ouvidos pela coluna, Abilio não fez falta. Passaram pelo evento a secretária municipal de Ordem Pública, Juliana Palhares; o secretário de Trabalho, Nivaldo de Almeida Carvalho Junior; e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Fellipe Corrêa.

O prefeito foi representado pelo secretário de Cultura, o músico Johnny Everson, que não escondeu o desconforto com a ausência do chefe.  “Acho que o prefeito tinha que estar aqui. Não se faz política sem informações”, ponderou.

A fala do próprio representante do governo resume o clima do evento: o empresariado foi, debateu e cobrou. O prefeito não compareceu.

 

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