Greve na UFMT afeta serviços e dificulta rotina de estudantes e professores
Por Isabella Prado
A greve dos servidores técnico-administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), iniciada em 13 de abril, tem alterado a rotina acadêmica e administrativa da instituição. Com a biblioteca fechada e serviços funcionando parcialmente, estudantes enfrentam dificuldades em processos como ajuste de matrícula, enquanto professores assumem demandas antes realizadas pelas secretarias dos cursos.
Serviços considerados essenciais, como pagamento de bolsas e salários, emissão de documentos urgentes, manutenção de sistemas e internet e atividades de assistência estudantil, seguem operando de forma parcial, com até 30% da capacidade. A informação é do comando local de greve.
Além disso, protocolos e processos acadêmicos realizados pelos estudantes também foram afetados. A estudante de jornalismo Anny Vitória, de 22 anos, relata dificuldades para realizar o ajuste de matrícula. O procedimento, que normalmente é feito pelo Sistema Eletrônico de Informações (SEI), está parado devido à ausência dos técnicos responsáveis pela tramitação. Como alternativa, ela precisou recorrer a um processo manual para conseguir encaminhar a solicitação. “O processo que era do SEI, que é super fácil de fazer, eu tive que fazer no Word”, explica.
Com a suspensão das atividades dos técnico-administrativos, parte das demandas passou a ser redistribuída internamente. Professores têm se organizado para dar continuidade às atividades administrativas necessárias ao funcionamento dos cursos. O professor e chefe do departamento de Publicidade e Propaganda, Javier Eduardo Lopez, 73 anos, explica que tarefas como controle de processos, empréstimo de equipamentos e organização de materiais passaram a fazer parte da rotina docente. “Em um departamento onde normalmente a secretaria resolve essas demandas, agora nós temos que resolver”, afirma.
A greve também tem afetado o apoio aos laboratórios e a logística de acesso às salas de aula. Professores passaram a assumir diretamente a gestão de chaves e de equipamentos, como projetores e caixas de som. O professor substituto de jornalismo Edu Jacques, 37 anos, relata que precisou levar um projetor para casa após a aula, devido à ausência de servidores para receber o equipamento. “Tive que levar para casa e retornar no dia seguinte para entregar”, conta.
Serviços com características específicas, como o Hospital Universitário Júlio Müller e o Hospital Veterinário da UFMT, têm o funcionamento e as escalas dos servidores acompanhados pela coordenação do movimento grevista. Já o restaurante universitário segue em operação por ser terceirizado.
Reivindicações
Segundo o comando local de greve, a mobilização busca o cumprimento do Termo de Acordo de Greve nº 11/2024, além de pautas específicas da universidade, como fortalecimento das políticas de capacitação e saúde dos trabalhadores e aprimoramento do Programa de Gestão de Desempenho (PGD). Também estão na pauta medidas de combate ao assédio moral e melhores condições de trabalho.
A reitora da UFMT, Marluce Silva, se reuniu dia 24 de abril com o comando local de greve e representantes do Sintuf-MT para discutir as reivindicações da categoria. Durante o encontro, a gestão recebeu a pauta interna dos servidores, sinalizou encaminhamentos para parte das demandas e afirmou que manterá o diálogo aberto ao longo do movimento grevista
Uma nova Assembleia Geral de Greve está marcada para a próxima quarta-feira (6), às 8h, na sede do Sintuf-MT, no campus da UFMT. O encontro deve discutir os próximos encaminhamentos do movimento.
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