13 de julho de 2026
Eleições 2026, nomes antigos e uma surpresa no jogo
Por Fátima Lessa
As convenções partidárias, que precisam ser realizadas até 5 de agosto, ainda podem alterar o desenho da sucessão estadual em Mato Grosso. Ainda assim, o cenário da eleição de 2026 revela uma característica recorrente da política mato-grossense: a renovação de candidaturas nem sempre significa renovação de protagonistas.
Em meio a ex-governadores, senadores, empresários e lideranças já conhecidas do eleitorado, a pré-candidatura da médica Natasha Slhessarenko (PSD) desponta como um dos poucos sinais de renovação em uma disputa historicamente marcada pela repetição de protagonistas, desafiando uma lógica política consolidada.
A entrada de um nome com esse perfil, no entanto, não altera automaticamente a dinâmica da sucessão. Como observa o historiador Alfredo da Motta Menezes, as eleições majoritárias em Mato Grosso, tanto para o governo do estado quanto para o Senado, são ocupadas, em sua maioria, por lideranças já consolidadas. “Não é uma regra absoluta, mas é o padrão predominante”, afirma.
Ainda segundo o historiador, a pré-candidatura de Natasha rompe com esse histórico. Sem trajetória eleitoral anterior, ela não se enquadra no perfil tradicional dessas disputas. “Ela não é uma liderança consolidada, mas pode ser uma surpresa e até chegar ao segundo turno”, avalia.
Se, por um lado, a novidade da eleição aparece no campo da centro-esquerda com a pré-candidatura de Natasha Slhessarenko, por outro a corrida pelo Palácio Paiaguás reúne lideranças já conhecidas da política mato-grossense. Essas lideranças mantêm forte interlocução com o agronegócio, setor que ocupa posição central na economia estadual.
Entre os principais nomes estão o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que assumiu o comando do Executivo após a saída de Mauro Mendes (União) para disputar o Senado e construiu sua trajetória política como prefeito de Lucas do Rio Verde; o senador Wellington Fagundes (PL); e o senador Jayme Campos (União Brasil), ambos com longa experiência em disputas majoritárias e forte inserção política no estado.
Em comum, esses nomes acumulam capital político, forte inserção regional e capacidade de articulação dentro de estruturas partidárias e econômicas que, há décadas, sustentam as disputas eleitorais em Mato Grosso.
Também figuram entre os pré-candidatos o empresário Marcelo Maluf (PSDB), o ex-prefeito de Rondonópolis José Carlos do Pátio (PV), Maurício Coelho (Inconfidência), Alex Pucinelli (Democracia Cristã), o Sargento Laudicério Machado (PP) e o empresário Rafael Millas (Missão), ampliando o leque de nomes que buscam espaço na disputa pelo Palácio Paiaguás.
As movimentações também refletem alinhamentos políticos mais amplos. Pivetta, Wellington Fagundes e Jayme Campos mantêm proximidade com pautas associadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), evidenciando a convergência de parte dessas lideranças em um mesmo campo político. Essa leitura é compartilhada pela cientista política e professora Alair Silveira. Para ela, a eleição de 2026 tende a reproduzir padrões observados em disputas anteriores. “Não se trata apenas de nomes. Há uma convergência de projetos políticos que mantém os mesmos rumos de governo”, afirma.
Na avaliação da professora, as diferenças entre os grupos tendem a ser mais “cosméticas” do que estruturais. Ela destaca ainda a forte presença de empresários e representantes do agronegócio entre os pré-candidatos, característica que, segundo sua análise, ajuda a explicar a permanência de padrões de organização do poder em Mato Grosso, mesmo diante da alternância de candidaturas.
A presença expressiva de lideranças ligadas ao agronegócio também ajuda a compreender a configuração da disputa eleitoral em Mato Grosso. Embora pertençam a partidos diferentes, boa parte dos pré-candidatos mantém interlocução com o setor, que ocupa posição central na economia estadual e exerce influência na formação de alianças e na definição de projetos de governo. Para Alair Silveira, esse contexto contribui para a permanência de padrões já conhecidos de organização do poder no Estado, mesmo diante da alternância de candidaturas.
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