MT segue com terceiro maior número de mortes de crianças indígenas

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Por Isaac Prado

Mato Grosso manteve a tendência dos anos anteriores e permaneceu entre os estados com maior número de mortes de crianças indígenas de 0 a 4 anos. Em 2025, foram registrados 123 óbitos, o terceiro maior número do país, segundo o relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil. Em 2024, foram 127 mortes. Amazonas, com 306 óbitos, e Roraima, com 158, registraram os maiores números. Juntos, os três concentram 57,3% dos 1.024 óbitos registrados em todo o país.

Entre as mortes no estado, 66 foram de meninas e 57 de meninos. Em todo o país, pelo menos 586 óbitos de recém-nascidos e crianças de até 4 anos foram provocados por doenças, transtornos ou complicações consideradas evitáveis, que poderiam ser prevenidas ou controladas por meio de ações de saúde, imunização, diagnóstico e tratamento adequados.

Mato Grosso também aparece entre os estados com maior número de mortes de indígenas atribuídas à falta de assistência à saúde. Foram nove casos em 2025, atrás apenas de Mato Grosso do Sul, com 14, e Pará, com 11. Ao todo, o país registrou 62 mortes relacionadas à ausência de atendimento adequado.

Invasão, exploração ilegal e danos ao patrimônio

Em 2025, foram registrados 210 casos de invasão possessória, exploração ilegal de recursos naturais e danos diversos ao patrimônio, atingindo ao menos 151 Terras Indígenas (TIs) em 20 estados.

Considerando invasões e danos ao patrimônio indígena, Mato Grosso aparece como o terceiro estado com maior número de ocorrências, com 25 casos em 18 TIs. Amazonas e Pará lideram o ranking, com 39 casos em 32 TIs e 32 ocorrências em 20 TIs, respectivamente.

Como exemplo dos impactos provocados pela exploração mineral em territórios indígenas, o relatório destaca os danos causados pelo garimpo ao território e ao povo Nambikwara Katitãurlu, da TI Sararé, em Mato Grosso.

Em 2025, a terra indígena registrou o desmatamento de 1.463 hectares dos 67,4 mil hectares de sua área, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Desde 2023, o território acumula 4,9 mil hectares desmatados e foi a terra indígena com a maior área sob alertas de mineração em 2024 e 2025, conforme dados do sistema Deter, também do Inpe.

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