Ufa! A barbárie foi descartada
Jairo Pitolé Sant’Ana*
Confesso que, ao sair ontem pela manhã para votar, ainda tive medo de uma possível vitória da extrema-direita. Motivo: entre os 5,2 km separando minha casa do local onde votei, basicamente só vi veículos (automóveis e suvs, principalmente) adesivados com a propaganda do adversário. A agonia continuou à tarde, quando liguei a televisão e assisti à situação de Salvador e de São Paulo, onde boa da frota de ônibus, que deveria estar à disposição dos eleitores, ficou nas garagens, e presenciei a demora do poder judiciário em resolver a questão.
”Pronto, agora seremos obrigados a reviver tudo que passamos entre 2019 e 2022, com o Pantanal e a Amazônia ardendo em chamas como nunca havia acontecido na história dos dois biomas, com o cercadinho em frente ao Palácio da Alvorada para entreter apoiadores, com o desmanche da saúde popular e o fim da construção de casas populares, o aumento do desemprego, a economia em ritmo de inércia, a dependência ilimitada aos Estados Unidos, a fila do ossinho, o retorno ao mapa da fome, o aumento do armamento, dos clubes de tiro, as privatizações, inclusive das praias, etc, etc.”, pensei.
Mas o sufoco passou. Mesmo que a decisão do ministro (Cristiano) Zanin, de prorrogar o horário de votação até às 19 horas, não tenha contribuído muito, já que muitos mesários só ficaram sabendo da decisão depois de fecharem a seção. Com isso, segundo a Agência Brasil, muitos eleitores “acabaram dando de cara com portões fechados”, causando confusão e frustação. De qualquer forma, mesmo com atraso, tomou-se uma decisão insistentemente prolongada por quem deveria tomá-la.
Voltando à vaca fria. Mais uma vez, o Nordeste (todos os estados, sem exceção) foi o grande responsável pela vitória da democracia, evitando que o “Escudo Americano” estendesse seus tentáculos em território brasileiro. Um vermelhão responsável por uma frente de mais de 12 milhões e 300 mil votos. Novamente, a Bahia, maior colégio eleitoral da região, puxou o cordão, com quase três milhões e 900 mil votos, seguido por Pernambuco e Ceará, com mais de dois milhões cada. Piauí foi onde Lula obteve o maior percentual do país. Mais de 75 eleitores, a cada 100, votaram no candidato da frente ampla contra o fascismo. Foram 75,88% contra 24,12%. Uma lavada. De voto e da alma.
Entre os outros estados onde a barbárie foi descartada (Amapá, Amazonas, Pará), foi em Minas Gerais onde Lula teve o menor percentual de frente (50,53% contra 49,57%). Perdeu em oito das 10 maiores cidades mineira, incluindo Belo Horizonte, mas por uma diferença mínima, pouco mais de 24 mil votos. Em Juiz de Fora, principal cidade polo da Zona da Mata, a diferença pró-Lula foi de 49 mil.
O candidato derrotado diz não reconhecer sua derrota, por causa da prorrogação do horário de votação. Alega que a decisão teria violado o princípio da isonomia entre os eleitores. Uai, terá ele esquecido de que sua campanha pediu ao TSE a extensão do horário de votação, até as 19 horas, em MG, RS, PR, SP e SC? Qualquer dúvida, deem uma olhada no site do G1.
*Jairo Pitolé Sant’Ana é jornalista em Cuiabá.
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