Sem lideranças nacionais, PL homologa Wellington e Medeiros em MT

Por Fátima Lessa

Em um estado considerado uma das principais vitrines do bolsonarismo no país, a convenção do PL chamou atenção pelo esvaziamento político.

Embora tenha homologado, como esperado, as candidaturas do senador Wellington Fagundes ao governo de Mato Grosso e do deputado federal José Medeiros ao Senado, o ato ocorreu sem a presença de lideranças nacionais da legenda, restringindo-se às lideranças estaduais, candidatos proporcionais, vereadores, militantes e ao presidente estadual do partido, Ananias Filho. Dos 22 prefeitos do PL, apenas quatro compareceram.

Participaram ainda os deputados federais Coronel Assis, Coronel Fernanda que buscam a reeleição e Rodrigo da Zaeli.

A ausência de nomes de projeção nacional contrastou com o discurso adotado por Wellington Fagundes nos últimos meses, quando defendia que sua candidatura estava inserida na estratégia nacional do PL e alinhada ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro. Na prática, a convenção teve caráter essencialmente regional, sustentada pela estrutura política local.

Questionado durante a coletiva sobre críticas dirigidas à extrema direita em relação ao eleitorado feminino, incluindo declarações atribuídas a Flávio Bolsonaro consideradas ofensivas ao voto das mulheres, Wellington Fagundes saiu em defesa do pré-candidato à Presidência. Disse conhecê-lo “há muito tempo”, citou a esposa e as filhas ao destacar sua convivência familiar e afirmou que “até dizem que…Flávio Bolsonaro é homem demais” afirmou gesticulando com o braço direito e a mão fechada para dar ênfase à declaração.

Ao longo de cerca de duas horas de entrevista, Wellington reiterou que houve tentativas de inviabilizar sua candidatura durante as negociações envolvendo o Republicanos e minimizou os desentendimentos com José Medeiros, atribuindo-os exclusivamente ao campo político.

As críticas mais contundentes foram direcionadas ao governo de Mauro Mendes. Wellington questionou a construção do Parque Novo Mato Grosso e voltou a atacar a substituição do VLT pelo BRT. Ao defender sua posição, afirmou que “o VLT está funcionando em Salvador”, usando o sistema implantado na capital baiana como contraponto à decisão do governo de Mato Grosso de abandonar o projeto do Veículo Leve sobre Trilhos.

Homologado candidato ao Senado, José Medeiros procurou nacionalizar o debate ao afirmar que sua candidatura também tem como objetivo impor limites à atuação do Supremo Tribunal Federal reforçando uma das principais bandeiras defendidas pelo PL.

O tom ideológico predominou durante toda a convenção. Em diversos momentos, nos espaços abertos do evento, militantes entoaram o coro “Olê, olê, vamos pra rua para derrubar o PT”, evidenciando que, embora o ato fosse destinado à homologação das candidaturas estaduais, boa parte da narrativa esteve direcionada ao embate político nacional entre o bolsonarismo e o governo do presidente Lula.

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